não vejo paradoxo ou dilema. os cotistas normalmente estão em um nível de preparo muito abaixo dos não-cotistas para o vestibular no momento em que fazem a prova. uma vez que entram na faculdade e têm acesso a melhores professores, aulas, textos, grupos de estudo, etc. conseguem acompanhar e se igualar — ou superar, o que ocorre provavelmente por saberem que esta é uma oportunidade única para eles. quando você fala das pessoas que "não são exatamente as melhores", comete um engano. o problema não é cognitivo, elas só não foram tão bem preparadas. e provavelmente tiveram que conciliar o colégio público com trabalho, enquanto o não-cotista teve mil professores particulares e fez massagem e acupuntura antes da prova. o fato é que os cotistas mostram a capacidade que têm dentro da faculdade, só que para entrar nela a concorrência entre alunos do sistema público e privado é desleal. é uma medida de reparação com a parte desprivilegiada da população. um pouco de empatia ajuda a entender.