Sonantes

Vibrações em desarmonia, o rosto queimando de euforia e foi só uma recordação… dos momentos sustentos pela consciência sonora. Acordes e batidas combinadas pela sintonia espírita, sentido aguçado pra audição desperta a emoção. Erotismo auditivo. Ponto G no ouvido, que satisfação…muita obscenidade abafada, bafo quente e gosto de fava, pedia uma maior concentração. A voz dissonante que preparava a infeliz, sexo é forma de conexão, coadjuvante ou não, protagonismo era impertinente, nosso objetivo era gozar não só de som, mas também de mente. Logo na sua introdução uma calmaria relaxante, o corpo que se movia numa fração de instante, justificou a variação, o sopro no pescoço que fazia o trabalho de um trompete, entra em mim e mete, mete gostoso nessa condição…toques são desnecessários, um instrumento que não pede nada, porque você me faz safada na sua percussão. Nossos treinos eram demorados, erramos 69 vezes antes de encontrar o tom e então acertamos. Ainda bem que ensaiamos. Os estalos eram barulhos embaralhados combinados com os gemidos de procura, acertei a nota e nem precisei de partitura. Um dueto que só possuía dois instrumentos, baqueta e bateria em um só momento, seu solo é um puta batimento no meu órgão, monumento em prova de conhecimento. Dez. No julgamento do nosso número, impossível de se considerar um quesito, um álbum inteiro ali estava sendo produzido. Que delícia o que a gente faz, somos melhores que Gaingsbourg e Bardot, faça um favor meu senhor, e compre nossa gravação. Pecado o meu querer comercializar essa condução, somos maestros ocultos de plateia, somos sinfonias e epopeias, megalomanos por precisão.
