Termografia

Se acaso o tempo mude, nessas variantes climáticas que nos torne muito frios admirando enquanto o fogo se apaga, não se esqueça de me cobrir com um som.

Já havia pretérito perfeito o bastante que fazia silêncio dentro dos meus controles incontroláveis, insensatos, cheios de vaidade, e de carência.

Faltavam mais graus na minha lente, que escondia meu astigmatismo vigente, vendo tudo borrado e distorcido, vendo uma brasa fraca em chama falsa e convencida.

E não se ajustava a lente, se fecho os olhos enxergo na mente, a dança de corpos de um casal diferente, me doía as córneas naquele ponto de vista, em outra perspectiva meus comandos diriam "pisca".

A euforia castigada pela insanidade de me sustentar de cabeça em pé naquele lugar, que se me conhecessem bem, ou me medissem saberiam que naquele momento, eu só fazia chorar por dentro.

Atravessada no abraço do seu silêncio, na gracinha do seu sucesso, no riso sem graça no meu externo, e de tudo em volta não fazer sentido.

Torturando uma mente bêbada e solitária, que gostava de tecer os sentimentos como uma mortalha, e vestir uma roupa de vítima inconformada.

Assistindo um show de samba, e o seu...com ela, a música não era bonita e a melodia parecia eterna, redundante em minha cabeça junto com a imagem, parecia um filme que não acabava em sacanagem.

Ou se acabava, eu não via vantagem.

Se soubesse que usar óculos era assim, preferia ter deixado em casa, meu espírito, e a armação que era mais uma armadura e me deixava entorpecida, mas quando retirada deixava a mostra minhas feridas.

Tudo era fantasia, os óculos, a armadura e o vento em brisa. Clima de desespero.

Se acaso o tempo mude e faça mais calor, eu vou arder no meu sufoco de demonstrar minha dor, minha decepção e meu ceticismo, onde minha lente vai servir corretamente, e sentir tudo em absoluto nítido.

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