Aventura Diária

Ela estava escondida atrás de uma árvore, a flecha bem posicionada no arco. Uma rápida espiada tinha lhe permitido ver onde o inimigo estava. Era só questão de tempo até ele se aproximar o suficiente para poder atingi-lo…

A brusca freada do metrô fez com que Helena se desequilibrasse. Uma de suas mãos, que antes segurava o celular, automaticamente se agarrou à barra do vagão para evitar a queda. Lá se fora sua chance no jogo.

Na vida real, Helena não era uma heroína treinada no uso do arco e flecha. Era só uma estudante de psicologia, que acordava às 5 da manhã e pegava o metrô lotado todos os dias. Ainda tinha que se preocupar com a possibilidade de ser encoxada nessa lata de sardinha.

Depois, dividia o tempo entre o estágio na área de RH de uma empresa, as aulas e o atendimento na faculdade. Era uma rotina corrida, mas fazia o que gostava.

O metrô voltou a andar. Ela fechou o jogo, já tinha desanimado mesmo. Reparou que uma garota lhe encarava — e quando ela percebeu que Helena lhe olhava de volta, deu um sorrisinho. Poderia ser promissor, mas Helena era uma moça comprometida agora. E por falar nele… O celular vibrou em sua mão, com uma nova mensagem.

Henrique
Bom dia ;)

Helena
O metrô me fez perder no jogo :(

Ela guardou o aparelho sem esperar pela resposta dele, o metrô havia chegado na estação em que ia descer.

A saga da brava aventureira com o arco e flecha teria que aguardar. Helena estava pronta para enfrentar a sua — não menos que importante — aventura e adversidades de todo dia.

Este texto foi escrito para o projeto Na Ponta da Caneta do Who’s Thanny. O tema de março era Ela É Super.
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