Músico de Rua

Aquele lugar na calçada da Avenida Paulista já era conhecido como seu. Pelo menos durante o horário de almoço. As pessoas, mesmo as tão ocupadas e apressadas de uma cidade como São Paulo, costumavam parar por alguns minutos para apreciar sua música e lhe deixavam alguns trocados na capa do violão.

Henrique não fazia isso exclusivamente pelo dinheiro. Tinha começado como um hobby, enquanto não arranjava emprego na sua área, o jornalismo. A música sempre fora a sua paixão, quando mais novo tinha sonhado em seguir a carreira artística, mas desistira antes mesmo de tentar. Não tocava nada há anos quando decidiu se desafiar e expor sua voz para tantas pessoas — mesmo que a maioria não prestassem atenção nele.

Mas o desafio tinha dado certo, tinha até seus espectadores fiéis. Lá vinha uma.

- Oi, Henrique!

- Oi, Gabi.

Gabriela era aluna do ensino médio, estudava em um dos colégios particulares da região e devia ganhar uma boa mesada, pois sempre lhe deixava algum dinheirinho no violão. Ele sabia que ela não fazia isso apenas porque gostava das canções que cantava, mas desencorajava todos os avanços da menina que não estivessem ligados a isso. Ela era muito nova para ele.

Ainda assim, ficava feliz que Gabi sempre falasse com ele, e até incorporava no seu set alguma música que ela gostava. Geralmente ela ia acompanhada de amigas, embora apenas ela tivesse coragem de conversar com Henrique.

- O que vai ser hoje, alguma do Ed Sheeran? — perguntou, rindo.

- Como você adivinhou? — ela brincou. Sempre pedia Ed Sheeran.

Ele começou a tocar a música, motivado pelo sorriso que a menina lhe deu. Era esse tipo de reação que o motivava a continuar, mesmo que não profissionalmente. Era bom demais saber que a música não era só importante para ele.

Este texto foi escrito para o projeto Na Ponta da Caneta do Who’s Thanny. O tema de maio era #EspecialistaWT.