Cibercultura versus Jornalismo Impresso

Nas últimas décadas, o discurso sobre o futuro dos jornais impressos ganhou força frente à crise do segmento. O fortalecimento da mídia comunitária, o desenvolvimento de novas formas de se buscar e trocar informações, as diversas formas de tecnologias digitais e a cibercultura ameaçam os periódicos tradicionais. A chamada ‘sociedade da informação’ indica que é tempo de mudanças, que impõem reflexões sobre os modernos processos comunicacionais, mas que demandam igualmente, e de forma urgente, novos olhares sobre antigas estruturas.

No âmbito da mídia digital vemos que a comunicação está cada vez mais especializada e pronta para as demandas mais pessoais, sejam elas referentes ao momento de leitura ou visualização/audição de um conteúdo (texto, imagem, áudio, vídeo, etc) ou mesmo referentes ao próprio conteúdo que será acessado. Portanto, a comunicação digital, através dos mais avançados meios existentes (computadores, laptops, celulares e demais portáteis) caminha para um aperfeiçoamento da especialização, servindo a cada indivíduo conforme as suas necessidades. Essa realidade promete a extinção da hegemonia dos tradicionais veículos de comunicação de massa.

Como afirma Manuel Castells, isso resulta da integração crescente entre mentes e máquinas: “(…) inclusive a máquina de DNA, está anulando o que Bruce Mazlish chama de a ‘quarta descontinuidade’ (aquela entre seres humanos e máquinas), alterando fundamentalmente o modo pelo qual nascemos, vivemos, aprendemos, trabalhamos, produzimos, consumimos, sonhamos, lutamos ou morremos (CASTELLS, 1999, p.51).”

Novos modos de percepção e de linguagem, novas sensibilidades e escrituras, novos modos de relação entre os processos simbólicos e as formas de produção e distribuição dos bens e serviços. É o que afirma Martín Barbero, quando diz que “Estamos diante de uma mediação tecnológica que não é meramente instrumental, mas estrutural; Com o computador estamos não em frente a uma máquina com a qual se produzem objetos, mas, sim, diante de um novo tipo de tecnicidade, que possibilita o processamento de informações e cuja matéria-prima são abstrações e símbolos. O que inaugura uma nova fusão de cérebro e informação que substitui a tradicional relação do corpo com a máquina (MARTÍN-BARBERO, 2006, p.57).”

Por esta razão, conclui-se que a cibercultura não é prioritariamente informativa, mas conectiva, voltada para a conexão dos sujeitos através da máquina, e a circulação de informação é uma consequência disso, fazendo assim com que a necessidade do jornal impresso esvaneça cada vez mais com o passar do tempo.

Referências

CASTELLS, Manuel. A sociedade em rede. Volume I. São Paulo: Paz e Terra, 1999.

MARTÍN-BARBERO, Jesús. “Tecnicidades, identidades e alteridades: mudanças e opacidades da comunicação no novo século”. In: MORAES, Dênis de (org). Sociedade midiatizada. Rio de Janeiro: Mauad, 2006. p. 51–79.

Luana Rodrigues e Beatriz Melo