Resenha — Filme Syriana/Era dos Extremos — 21/11/2014

A presente resenha tem como objetivo compreender o chamado “Terceiro Mundo” e suas relações exteriores. Para analisar a problemática atual, foram estudadas as causas e consequências dos principais acontecimentos mundialmente transformadores. O filme “Syriana” de Gaghan e o livro “Era dos Extremos” de Hobsbawm — parte deste especificamente tratando do período pós-guerra (a partir de 1945) à crise do petróleo (1970) — foram usados como apoio. Além, claro, dos ensinamentos passados em sala de aula.

Primeiramente, “Syriana” consiste em uma junção de diversas histórias que se interligam pelo contexto de submissão de determinados países do Oriente Médio aos interesses das maiores potências. Os conflitos giram em torno da incessante busca americana por petróleo e da impensada entrega do recurso natural por parte dos árabes. Ainda, é explorada a vontade quase irreal do emir (uma espécie de príncipe) Nasir de controlar melhor a fonte e, com investimentos, criar infra-estrutura e uma economia estável para seu povo.

A película retrata a realidade atual — e não só árabe. Este quadro merece ser estudado com destaque. Inicialmente, podemos recorrer a chamada “Era das Catástrofes” de Hobsbawm para entendimento. Os fenômenos que permeiam o período entreguerras integram o embrião do que viria a ser a sociedade industrial a que estamos acostumados.

Segundo o autor, a mobilização de um grande número de homens para ir às grandes guerras somada ao início do exôdo rural formam o fator que impulsionou sindicatos, partidos democratas e a inserção de mulheres no mercado de trabalho — em um apanhado geral.

A partir da intitulada “Era de Ouro”, podemos contemplar melhor a ruína em que se encontrava a Europa, a ascensão dos Estados Unidos ao posto de potência e as controvérsias da Guerra Fria.

As nações, à época, assistiam o início do domínio estadunidense sobre o resto do globo com o Plano Marshall na Europa e a Doutrina Truman nos países de ‘Terceiro Mundo’.

Guerrilhas fomentadas pelo jogo intervencionista das potências causaram discórdia, miséria e dependência em países considerados como ‘’elos frágeis”.

O armamento excessivo e a movimentação da economia através da guerra foram, talvez, as duas maiores heranças do conflito ideológico. O exemplo se repetiu inúmeras vezes: Yom Kippur, Vietnã, Golfo.

Desde o cartel da Organização de Países Exportadores de Petróleo, OPEP, e a crise de 1973, a potência mundial encontrou-se desesperada e capaz de fazer atrocidades para recuperar o controle da situação. A semente da desestabilização mundial segue um padrão criado há muito tempo.

Hobsbawm cita a expansão demográfica e a queda da mortalidade causada pela revolução farmacêutica e dos transportes nas nações pobres. O ponto é interessante. A chamada “descolonização” toca o assunto. Antigos impérios, como o Britânico, decretaram seu fim. Muitos países vinham conquistando a sua “independência” — termo utilizado entre aspas pois a única autonomia adquirida era em relação ao ex-colonizador. A nova nação continuaria subjugada ao sistema vigente e, dali em diante, aos interesses estadunidenses.

O movimento imigratório da população destes locais para países desenvolvidos foi e ainda é muito presente. Muitos ainda veem a mudança como uma última esperança, a chance de prosperar.

Podemos rever estes conceitos na conclusão do filme de Gaghan. Nasir é morto. Seu irmão, que cedia aos interesses norte-americanos, continua no poder. Rapazes imigrantes que costumavam trabalhar em uma refinaria transnacional entram em desespero ao serem demitidos e mandados de volta para suas terras. A reação destes demonstra a que ponto chega a exploração pela matéria prima.

A consolidação do jovem como agente transformador é um acontecimento importante no campo cultural. Os meios midiáticos propagavam uma linha de pensamento majoritariamente criada por adolescentes ou adultos americanos. O autor de “Era dos Extremos” também fala acerca do novo feminismo, que colaborou para a desconstrução dos costumes morais tradicionais e da visão de família, gênero e igualdade cultivada anteriormente, mesmo que estes ideais chegassem aos países desfavorecidos com menor impacto.

Por fim, podemos observar tentativas constantes dos Estados Unidos de desconstruir a imagem dos países de Terceiro Mundo, especialmente no Oriente Médio. Qualquer investida proveniente dos explorados é considerada potencialmente destruidora, mesmo que os recursos disponíveis a estes sejam incomparavelmente mais fracos.

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