Dedos coçando

São 7:30 de um domingo chuvoso e eu acordo. Eu tenho fome, eu tenho vontade de fazer xixi. Mas eu também tenho uma cabeça repleta de histórias reais e imaginárias, de situações trágicas e de situações cômicas. De coisas que eu poderia ter dito ou que eu sonho em te dizer. Frases de efeito. Minha boca coça, meus dedos coçam. Eu preciso dizer, eu preciso escrever, eu preciso compartilhar. Eu gosto de me aparecer? Aham! Quem não precisa ser ouvido? Mas não é para os outros que eu escrevo. Eu escrevo para metralhar com a minha raiva e para cagar de dar risada. Eu gosto de exagerar e de transcender meus sentimentos. Eu escrevo para continuar escrevendo, de uma forma cada vez mais prazerosa para quem escreve e para quem lê. Eu escrevo como um grito de socorro: eu preciso usar o poder de criação que todos nós temos — e que pode se atrofiar por falta de uso. A vida adulta me pegou. E eu tenho tido coragem de enfrentá-la. Tenho tido força para encarar os holerites, o aluguel, as metas, a falta de tempo e até a solidão. Mas a gente precisa de um respiro, de um grito, de um choro. Estejam preparados, por que aqui eu vou gritar ;).

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