minutos, café, clarice falcão e você

domingo de noite. 22 horas e 27 minutos para ser mais exata. gosto dessa exatidão. contar os minutos é importante e eu sempre prezei prestar bem atenção a eles porque é graças a eles que eu consigo dividir bem o meu tempo. mas deixando os minutos de lado (não se esqueça deles, eles serão importantes), eu estava indo até a cozinha, precisava de algo que conseguisse tirar o gosto amargo do remédio pra garganta inflamada que estava na minha boca. e eu decidi tomar café, mesmo não gostando muito de café. mesmo sabendo que teria que dormir em 53 minutos no máximo, pois amanhã era outro dia, uma segunda-feira. mesmo sabendo que encheria a xícara de açúcar. mas eu bebi.

foi bebendo aquele café e zapeando pelos canais na tv procurando alguma coisa para assistir que você me mandou uma mensagem. fiquei 4 minutos encarando a tela do meu celular repetindo pra mim mesma:

“não é possível, não pode ser”

eu não sabia o que fazer!!!! meu coração começou a bater mais depressa. era você. mesmo que eu odiasse admitir, uma das minhas notificações mais preferidas. mesmo sabendo que eu não era a unica que tinha suas notificações como preferidas. larguei o café pela metade e comecei a andar pela sala sem saber se te respondia. então comecei a contar os minutos que estava enrolando e te ignorando porque meu nervosismo me controlava. quando se tratava de você eu sempre fiquei nervosa, com o coração acelerado, a perna bamba e a calcinha molhada.

8 minutos. você começou a chamar a minha atenção e eu finalmente abri o whastapp. você odiava quando demoravam para responder, e eu sempre adorei fazer isso. sua primeira mensagem dizia que estava com saudades. eu ri por dentro. de mim??? sério? impossível. demorei a perceber que você vivia dizendo coisas fofas para ganhar coisas em troca delas. acho que você nunca entendeu que isso não funcionava comigo porque eu nunca gostei de coisas fofas. eu não podia te dar nada. porque já tinha gostado de você, e se desse, o sentimento voltaria. merda de sentimentos, queria ser uma porta. eu correspondi suas saudades, até hoje não entendo porque.

eu não tinha coragem de falar com você, não tinha coragem de admitir nada. você tinha coragem de falar comigo. mas nada que envolvesse sentimentos, você era uma porta. queria deixar claro suas segundas intenções, as que eu gostava muito por sinal. mas não eram o suficiente, eu sempre quis mais de você, mais do que você queria me dar.

isso me lembra monomania. você era minha monomania. me lembrava a clarice falcão e como as músicas dela me lembravam de você. de como ela se parecia comigo. mas ao invés de fazer musicas sobre você, eu te fazia textos. já fiz muitos, admito, porque você era a minha maior inspiração. não queria escrever sobre você agora, era pra eu estar falando do meu super adocicado café e em quanto os minutos são importantes na minha vida e na minha louca paranoia por organização. mas não. eu tinha que colocar pra fora o quanto eu nunca consegui fugir das tuas cantadas, dos seus elogios, do seu modo de ser tão safado que sempre me atraiu. da suas sumidas inesperadas depois de alguns beijos e dos seus reaparecimentos repentinos com algumas mensagens fofas pra começar tudo de novo.

gosto de te escrever, descrever, gosto de te interpretar. gosto de te dizer aqui tudo que não tenho coragem de dizer na sua cara. gosto de te expor, mostrar ao mundo o quanto você era idiota e o quão burra eu fui por me apaixonar por você. talvez um dia você leia tudo que eu já te escrevi, mas espero que não!!! seu ego já é do tamanho do mundo, imagine se soubesse dos sentimentos que nutri (e quem sabe ainda nutro) por você.

falei contigo normalmente, percebi que não estava mais demorando minutos pra te responder e sim segundos. você começou a me elogiar, e falar aquelas safadezas, eu sorria com cada uma delas. afinal, sempre me imaginei na sua cama, e se um dia esse dia ia chegar (e por incrível que pareça, chegou, quem sabe eu te conte depois como me senti desde que entrei no seu quarto pela primeira vez e última até a hora que tive que sair).

naquela noite eu não consegui dormir. mas não foi pelo café não, foi por você mesmo. ou, para eu não me achar tão trouxa, foi pela minha insônia ferrada mesmo.

hoje eu falei pra mim, jurei até, que esse não seria pra você,

agora é.

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