Sobre a necessidade de ficar só e/ou sentir-se triste

Esse texto não é um poema. É talvez um desabafo poético.

Todos nós procuramos pela felicidade. Isso é senso comum.

A grande maioria de nós procura isso por meio de achar um emprego bom, ter amigos legais e um par romântico que nos faça feliz. Inclusive eu.

Mas às vezes eu sinto necessidade de ficar só.

Ou de sentir tristeza.

Ou de ficar só E sentir tristeza ao mesmo tempo.

E não me entenda mal; eu não gosto de sofrer.

Mas no meio da rotina caótica que temos e dos estímulos incessantes para estarmos o tempo todo fazendo algo, e a pressão (se não social, interna, coisa da nossa mente mesmo) de avançar em direção aos nossos objetivos para encontrar a felicidade, muitas vezes eu sinto a necessidade de dar uma pausa em tudo isso.

De fazer uma viagem sozinha, nem que seja o percurso de 40 minutos que o ônibus faz do trabalho até a minha casa.

De colocar uma música triste do Djavan no fone de ouvido e saboreá-la em cada nota.

De fazer-me invisível no meio da multidão, enquanto observo, sozinha, da janela do ônibus, um casal caminhado de mãos dadas, ou uma mãe radiante com sua filhinha.

De ouvir as cordas do violão ressoarem enquanto ouço o cantor chorar suas dores, com seu verso “Ninguém sabe o que eu sofri”, e sofrer junto com ele.

Não é que eu esteja triste. Não é que eu goste da solidão. Entenda, gosto de apreciar a minha solitude.

“Solitude é o isolamento ou reclusão voluntário, quando o indivíduo busca estar em paz consigo mesmo. Diferente da solidão que em sua essência é o estado emocional do indivíduo que deseja ardentemente uma companhia e não a tem”, explica o Wikipédia.

Já dizia John Green em “A culpa é das Estrelas”: “Esse é o problema da dor (…). Ela precisa ser sentida.”

E por algum motivo às vezes meu coração clama por sentir essa dor.

Por apreciar um dia chuvoso com ar melancólico.

Por sentar-me sozinha num café e pensar sobre a vida.

Por desaparecer em meio à multidão.

Talvez eu precise disso para sentir o contraste de, no dia seguinte, levantar-me cedo e passar o dia todo trabalhando e correndo atrás dos meus sonhos; para sentir mais intensamente a alegria de conquistar algum objetivo meu; para ficar ainda mais feliz quando estou rodeada dos meus amigos.

Ou talvez eu só precise ficar só e triste. Sem motivo nenhum.

Talvez eu seja a única pessoa do mundo que se sinta assim.

Que triste.

Ou não?