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Olá Rodrigo! Primeiramente, agradeço pelo feedback.

Eu concordo extremamente com essa sua visão de que nós, como seres humanos, somos dependentes um dos outros. Inclusive isso é algo que venho defendendo muito ultimamente, de nos abrirmos mais e admitirmos que precisamos de atenção, carinho e compreensão. Fazermo-nos de fortes frente aos outros e querer adotar uma postura “fria” é ilusão que nós mesmos criamos achando que isso vai ajudar em algo.

A questão de que eu trato no texto — e aqui vou abrir meu coração pra você -, é que por algum motivo eu não sou bem sucedida em relacionamentos amorosos pelo simples fato de que os homens não se aproximam de mim. Conversei sobre isso com dois amigos muito próximos meus, e com ambos cheguei à conclusão de que talvez minha personalidade esteja afastando os outros de mim. Não porque sou arrogante, má, grossa, ou estúpida, mas talvez porque eu aparente por fora (ainda que por dentro eu não seja 100% assim) uma certa segurança. Obviamente isso não é uma equação que há resposta certa ou errada, e essa é apenas uma teoria do porquê isso acontece; já que eu, pessoalmente, tenho vontade sim de me envolver emocionalmente e romanticamente com outras pessoas, mas isso não se concretiza de maneira nenhuma. E aí, conversando sobre isso, tentamos achar uma solução. Será que eu deveria mudar meu jeito de ser? Será que eu deveria fingir ser quem não sou? Tornar-me uma pessoa afetada para atrair a atenção dos outros? E claro que tudo isso nos pareceu absurdo. Eu tenho uma personalidade meio forte, sempre tive, desde criança. E sempre me disseram que eu tenho uma cabeça mais madura do que minha real idade. De qualquer maneira, a conjunção dessas circunstâncias faz com que muitas vezes eu me sinta invisível e sozinha, e isso me desanima porque queria alguém pra caminhar comigo — as vezes a solidão me faz querer parar de “caminhar”, ou seja, sinto vontade de isolar-me ainda mais.

Ontem li um texto aqui no Medium tratando dessa questão de ser uma mulher independente (https://medium.com/@ozzyetomi/the-women-who-are-too-much-9030620ebf92 — se você estiver disposto a ler em inglês), e essa leitura me inspirou a escrever esse texto.

Cheguei à conclusão de que não posso esperar que alguém me ame e esteja disposto a curar as minhas feridas, antes de eu fazer isso sozinha. Se eu resolver parar minha vida por estar sozinha, estacionarei. Por isso a questão de caminhar sozinha, ainda que, muitas vezes — admito e concordo com o que você disse — esse seja um caminho melancólico.

Quanto a questão do auto-amor, neste caso discordo um pouco com você, pois tenho lido muito sobre e até já passei com uma psicóloga para falar sobre isso, e as afirmações que ouvi é que precisamos nos amar e nos aceitar (e até mesmo nos perdoar) primeiro, para que os outros possam fazer isso depois. Mas claro que o amor só multiplica-se quando é divido com outros, e por isso reafirmo o quanto acho importante a ajuda mútua entre nós, humanos, a compaixão, admitirmos e reconhecermos nossos sentimentos, etc.

Este ano de 2016 ando em uma caminhada de auto-descoberta e auto-afirmação, depois de ter passado por algumas decepções em anos anteriores. Confesso que senti-me insegura quanto a postar esse texto, porque achei que ele talvez pudesse transmitir uma mensagem errônea de arrogância ou egoísmo. Mas o que quis explicar nesse texto, é que não vale a pena eu me mudar (no sentido de diminuir-me, emburrar-me, tornar-me alguém falso) para que possa encontrar um par romântico. Ainda que eu continue solitária, como estou ultimamente, resolvi-me disposta a continuar essa minha caminhada de crescimento pessoal, quer eu esteja acompanhada ou não. Quem sabe um dia aparece alguém disposto a encarar minhas luzes e minhas trevas!

Adorei ouvir sua opinião e adoro ler seus textos — sinta-se sempre bem vindo a opinar aqui, pois é muito bom ter um feedback. :)

Paz e amor pra nós!

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