Outubro Rosa || Projeto POA Rural estimula a prevenção ao câncer de mama nos bairros do Extremo Sul da Capital

Iniciativa do Imama facilita o atendimento e o diagnóstico de mulheres de baixa renda

A campanha internacional Outubro Rosa faz parte do calendário anual de prevenção ao câncer de mama. Em Porto Alegre, o Projeto POA Rural promove a conscientização e facilita o atendimento e o diagnóstico da doença junto às populações de baixa renda ao longo de todo o ano. A iniciativa, que é realizada pelo Instituto da Mama do Rio Grande do Sul (Imama RS) em parceria com a Secretaria Municipal da Saúde (SMS) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar RS), abrange 18 bairros da região extremo sul da Capital oferecendo atendimento especializado e exames de mamografia digital gratuitos para mulheres participantes das atividades de conscientização realizadas pelo Imama.

Segundo a coordenadora do Projeto, Cristiane Souza, o cadastro e os agendamentos são encaminhados durante as palestras realizadas nas comunidades, em igrejas, escolas, clubes e ONGs locais. Tais atividades de conscientização são ministradas pelas voluntárias do Instituto, que também realizam os filtros de rastreamento a partir da faixa etária e relato das pacientes sobre o histórico de saúde familiar. Mulheres acima de acima de 50 anos ou que, independente da idade, apresentem sintomas relacionados ao câncer de mama ou incidência de casos na família são encaminhadas para atendimento.

Em dois anos de atuação, o Projeto POA Rural já atendeu 278 mulheres dos bairros Glória, Nonoai, Cascata, Tristeza, Ipanema, Vila Nova, Chapéu do Sol, Lageado, Belém Novo, Campo Novo, Belém Velho, Agronomia, Lomba do Pinheiro, Restinga, Aberta dos Morros, Hípica, Serraria e Lami. A partir da utilização do mamógrafo do Hospital da Restinga e Extremo Sul, foram realizadas 216 mamografias, além de 72 ecografias, 129 consultas e 13 biópsias. O projeto também prevê o acompanhamento contínuo da paciente nos casos de diagnóstico positivo. “Nós acompanhamos as pacientes desde o exame até o desdobramento da situação, apoiando também os seus familiares”, conforme esclarece Cristiane Souza.

A informação é atestada pela paciente Patrícia Hoeveler, promotora legal popular, 58 anos e moradora da Restinga, que teve o diagnóstico positivo para câncer de mama confirmado após a realização de uma ecografia mamária encaminhada pelo projeto. Patrícia conta que perdeu o acesso ao plano de saúde privado após a aposentadoria e que já tinha um histórico cirúrgico de retirada de micronódulos da mama. Acabou fazendo o cadastramento estimulada pelas voluntárias do projeto, que conheceu em razão do seu antigo trabalho com mulheres em situação de risco e vítimas de violência doméstica.

“Após o cadastramento, recebi uma ligação e agendaram a consulta. Fui examinada pelo médico mastologista Hélio Scapin em 3 de abril, dia do meu aniversário. Ele notou um nódulo e pediu a ecografia, que consegui fazer no mesmo dia. Alguns dias depois realizei a biópsia e, em 10 dias, tive o diagnóstico de câncer confirmado. Logo fui encaminhada ao Hospital de Clínicas e lá fiz todos os exames pré-cirúrgicos. Em 16 de maio, fui operada.”

O tratamento seguiu com a realização de 20 sessões de radioterapia e acompanhamento da oncologista, além da medicação a ser administrada até finalizar 5 anos de tratamento.

A paciente, que em poucos meses já teve alta, destaca a atuação das voluntárias tanto no engajamento para captação de cadastros, quanto na disponibilidade em ajudar as pacientes e seus familiares durante o processo. “Sou casada e tenho três filhos. Não sentia os sintomas antes do diagnóstico. Achava que o nódulo era parte da cicatriz da cirurgia que realizei há 36 anos, para retirar cistos. No pós-operatório, as gurias sempre foram muito disponíveis, oferecendo companhia para tudo! Eu tenho companhia, mas elas sempre insistem em ajudar”, elogia. E destaca que a rapidez no atendimento e o livre acesso ao médico foram muito importantes, pois “pelo convênio demorava muito mais”. A partir desses atendimentos é formada uma rede de apoio entre membros do Instituto, voluntários, familiares e pacientes. Hoje Patrícia é atuante no grupo de apoio e sempre participa das reuniões, indica pacientes e faz questão de exibir o seio reconstruído e contar a sua história. “Se não for pra mostrar o seio, eu nem vou”, relata demonstrando a força e o bom humor que auxiliaram na sua recuperação.

Esse papel atuante é fundamental para difundir o projeto na região e estimular outras mulheres a procurarem o atendimento. Como destaca a coordenadora Cristiane,

“a campanha de conscientização é de extrema importância para as comunidades mais carentes, pois possibilita o acesso à informação e ao atendimento preventivo básico. No mínimo, é inclusivo. Nosso objetivo é levar o Poa Rural para outras comunidades distantes em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde, que atualmente nos auxilia viabilizando o veículo e motorista para o transporte das pacientes.

Para o mês de outubro, estão previstas duas ações especiais relacionadas ao projeto. No dia 25 de outubro, será realizada uma palestra informativa no Centro de Referência de Assistência Social Extremo Sul às 9 horas. Na mesma data, o Projeto Poa Rural será tema do Painel Saúde e Ações Sociais de Enfrentamento ao Câncer promovido pela Comissão de Assistência Farmacêutica do Conselho Municipal de Saúde de Porto Alegre — às 9 horas no Auditório da SMS.

Outras informações sobre o Projeto Poa Rural podem ser obtidas pelos sites do Imama, Senar e Secretaria Municipal da Saúde.