A Falta

Sinto saudade. Vivo apenas para isso. Sinto saudade de tudo e de todos, das risadas histéricas que dávamos, das piadas despretensiosas e de mau-gosto que fazíamos, dos múrmuros e das lamentações. Sinto saudade daqueles meus colegas de classe da escola pública, que após muito afinco, conquistei. Sinto saudade dos amores platônicos de todos os transportes públicos que já peguei.

Sinto saudade dos meus amigos, da minha família, das minhas antigas paixões, da minha falecida cachorra, pobrezinha, e até de quem não era muito com a cara, afinal, nem só de afetos vive o ser humano.

Sinto saudade do toque, da intimidade, da fala sem cuidado e das palavras trocadas. Sinto saudade dos gritos irracionais, das mágoas guardadas e das críticas, que eram para o meu próprio bem, eu sei. Me pergunto aonde foram todos, até onde os permiti que fossem. Tudo se tornou passageiro, todos se tornaram passageiros. Não ficam muito, não podem ficar, têm trabalho, faculdade, família, curso, academia, autoescola, namorado, amigos, trabalho, namorada, cursinho, família. Não posso, desculpe.

E sem aviso prévio, sem carta de despedida, o tempo leva tudo como um oceano raivoso ao encontrar a orla. E quanto mais o tempo tira de mim, mais falta me faz. Então vou vivendo, com uma grande saudade no peito e ninguém ao meu lado.