O último
*extraído do meu blog E-vocativo*
“Ah, porque o E-vocativo será como uma lembrança, um chamado às coisas que realmente importam e são necessárias e mi mi mi”. É, eu sei. Eu até pediria desculpas se já não soubesse desde o início que seria assim (e se você me conhece há certo tempo, também sabia). Curiosamente, o que me motiva a estar aqui hoje é um post sobre metas. E, ironicamente, já afirmo de antemão que atualizar o blog com frequência não está entre elas (o que é bom, certo? pelo menos estou conseguindo ser realista).
Um dos aprendizados mais valiosos que 2015 tem me oferecido é exercitar o enfrentamento de frustrações e de outros tantos defeitos que só nesse ano me dei o direito de assumir. Quero dizer, vamos ser sinceros, minha autoestima é terrível, sou bastante insegura e um tanto desmotivada. Nada muito diferente do quadro da minha pré-adolescência, apesar de ter evoluído em dezenas de outros aspectos. Entretanto, autopiedade nunca foi o meu forte, então tenho conseguido deixar esses traços em segundo plano quando preciso fazer o que eu tenho que fazer. Acho. O problema é que, ainda assim, cumprindo com minhas obrigações, não me lembro de um momento em que não tenha me sentido à parte do mundo (tomando aqui um cuidado de não fazer ~a diferentona), angustiada por não corresponder ao meu próprio processo do vir-a-ser (o que é ótimo, segundo minha professora e sua daisensanálise do “Criso, logo existo”. Minha psicóloga, por outro lado, diria para eu parar de “psicologizar” as coisas). Não sei a quê ou a quem posso atribuir essa sensação, se à criação um tanto impessoal que recebi ou algum fator temperamental (eu não tenho base para divagar sobre essas coisas, de toda forma), mas sei que a possibilidade da mudança existe mesmo para os leigos em Psicologia. Mesmo ratos de laboratório conseguem se tirar de situações desconfortáveis na base da tentativa-e-erro, não é? Se o experimentador assim permitir, é claro (ainda que eu não acredite na existência d’O Experimentador, no caso).
Felizmente, mais do que sair por aí me comportando aleatoriamente, posso ao menos tentar planejar o futuro, que é onde entram as metas e minha necessidade de aprender a lidar com frustrações de uma forma saudável. Como disse, minha autoestima não é das melhores. Nunca estou satisfeita comigo, nem mesmo quando todas as metas estão cumpridas. Eu não sei fazer isso, “ficar de boa”. Da mesma forma, não consigo me sentir totalmente aceita, o que talvez tenha a ver com não conseguir me sentir parte de coisa alguma. A partir dessas “metas” (que entendo aqui como “coisas que acho que vão me tirar dessa sensação de estagnação e que eu GOSTARIA de ter motivação suficiente para realizar”), pretendo iluminar o meu caminho com um pouquinho de perspectiva de futuro. Vamos começar?
୦ Começar uma atividade física regular e para valer. Vocês sabem, aquilo de manter uma liberação de endorfinas regular, cuidar da saúde, trabalhar a disciplina, gastar energia pra não ficar tão ligada durante a noite, etc. E eu nem sou uma pessoa que odeia atividade física, na verdade sempre gostei, sempre me diverti em todo tipo de esporte em que me meti. O problema é que eu tenho vergonha de frequentar academia, fazer aula de dança, nadar, essas coisas. Ainda assim, sempre me forcei a fazer pelo menos dança e acho que talvez esteja na hora de dar o “próximo passo”.
୦ Cuidar da minha saúde. Isso inclui alimentação e voltar a ter um acompanhamento médico mais ou menos regular. Já faz um tempo que eu venho sentindo o que eu atribuo a “efeitos da idade” (eu sei, eu tenho 23 anos, mas acredito que não me sentir constantemente doente vá fazer eu me sentir melhor psicologicamente). Além disso, o estágio que fiz com deficientes visuais (cuja maioria tinha a deficiência por causa de diabetes) e termos descoberto recentemente que minha prima de 14 anos tem diabetes (minha família toda é diabética e eu já meio que tinha aceitado que ia ter algum dia) me deixou bastante preocupada.
୦ Voltar a ter um engajamento social/político (feminismo?). Eu nunca fui uma pessoa atuante em movimentos sociais, nunca militei por partido nem nada disso, nem acho que essa vá ser minha vontade algum dia. O amadurecimento da minha consciência política/social é coisa recente, de cerca de 5 anos para cá, mas por isso mesmo me incomoda muito a consciência de que cheguei num estado de descrença e impotência, devido principalmente a ter perdido o pouco contato que eu tinha com esse meio através da faculdade. Talvez o que me mova seja mais a necessidade de me ver inserida em um grupo com ideologia semelhante à minha do que a fé na mudança de qualquer coisa que seja. Ou talvez eu queira, lá no fundo, tentar restaurar essa fé que eu perdi no engajamento social. Minha psicóloga acha que eu deveria unir a escrita à ideologia política, começar a escrever sobre feminismo e psicologia. Eu gostei da ideia de tentar voltar a escrever (que é o que eu venho fazendo com esse blog) transformando isso em algo útil, tentando relacionar com a teoria que venho aprendendo, mas não acredito que eu possa dar alguma contribuição ao feminismo. De toda forma, eu não faço a mínima ideia do que fazer a respeito desse tópico, mas vou conversar com as pessoas sobre isso, tentar falar com pessoas diferentes e sei que descobrirei algo eventualmente.
୦ Escrita e leitura. Argh. Eu ODEIO fazer a aspirante a escritora frustrada, principalmente quando tenho total consciência de que eu nunca ao menos TENTEI escrever a sério ou tentar amadurecer a minha escrita (fazer isso que minha psicóloga sugeriu, usar a escrita para unir os meus estudos à aplicação prática, talvez ajude). É só que eu não acredito que algum dia vá conseguir lidar bem com a frustração de não gostar do que escrevi ou de me faltar inspiração ou de perceber que não tenho técnica necessária pra executar uma ideia ou com frustrações no geral. Eu sei que é tudo um monte de desculpas, mas saber que o único feedback com o qual eu posso contar é o meu próprio, totalmente sádico e enviesado, me desanima pra caramba. Mas aí eu me forço a lembrar: eu. nunca. tentei. E eu tô começando a adotar uma “filosofia” de vida de não reclamar (sim, eu estou escrevendo isso no meio de um texto em que não fiz outra coisa além de reclamar), de me tocar que se eu ainda não comecei a fazer alguma coisa é porque não quero tanto assim. Quero dizer, é só fazer! Eu não quero mais ser essa pessoa que usa como desculpa a insegurança de não ter com quem contar pra continuar me mantendo à parte do mundo. E eu acredito que o primeiro passo para manter um mínimo de motivação e inspiração seja começar a ler textos mais interessantes e prazerosos, mais parecidos com o que eu quero escrever.
Enfim, talvez eu também devesse parar de usar esse tom passivo-agressivo contra mim mesma, além de parar de “superpensar” tudo e de achar que devo justificar absolutamente tudo o que falo, escrevo, sinto e penso. Talvez eu tenha que achar uma forma de descentralizar o meu mundo do meu umbigo ou pelo menos de não ser tão exigente e insatisfeita. Ok, talvez eu deva parar de escrever textos infindáveis sobre mim, a começar por esse aqui. Tchau.