Por onde andei nessa caminhada

Beatriz. Aquela que faz os outros felizes. O significado do meu nome traz à tona a pessoa que sou por onde passo, sempre fazendo amigos e dando o melhor de mim para as pessoas que amo. Comunicativa. Cativante. Amiga para todas as horas. Assim sou lembrada entre amigos e familiares. Tenho um sonho grande. Quero levar a sustentabilidade cada vez a mais pessoas. Apesar de muitos acharem que é impossível. Quero deixar como legado um mundo melhor do que quando iniciei a minha carreira. Determinação. Coragem. Foi o que nunca faltou até aqui e me impulsiona a continuar essa caminhada.

Cresci em meio aos alardes do aquecimento global, vi os EUA se negarem a assinar o protocolo de Kyoto e convivi com os relatórios alarmantes do IPCC sobre as previsões de aumento das temperaturas globais. Não podia ficar parada diante desse cenário. Não tive dúvida. Decidi cursar engenharia ambiental. Durante o período de vestibular fui aprovada em cinco universidades públicas, dentre elas na USP-São Carlos. Saí de Maceió-AL e me aventurei em terras paulistas. Essa foi a minha primeira grande conquista, ser aluna da melhor universidade do meu país.

A graduação foi incrível para mim, realizei iniciação científica, participei da organização da semana acadêmica do curso, fiz intercâmbio por um ano na Inglaterra pelo Ciência sem Fronteiras, mas foi principalmente durante o meu estágio na Suzano Papel e Celulose onde me encontrei. Estagiei na área de sustentabilidade na unidade de Itapetininga-SP ao lado da equipe Bolt, essas pessoas me deram a oportunidade de me desenvolver e ser a profissional que eu sonhava. Durante o meu estágio desenvolvi um projeto que foi eleito o melhor da minha unidade. Implantamos um sistema de gestão de resíduos que reduziu o risco da companhia em uma multa de R$ 50 milhões. Englobou também um sistema de logística reversa que reduziu em cerca de 50% os custos com destinação de resíduos. Desde o começo a questão chave desse projeto foi a comunicação, primeiro entender onde estavam as dores das pessoas que operacionalizavam as rotinas da gestão dos resíduos e em seguida saber engajá-las no sistema implantado.

Equipe Bolt no parque das neblinas — SP.

Finalizei o meu estágio e me formei em Julho do ano passo. A sensação de concluir o curso foi gratificante, mas mais do que isso, foi libertador perceber que posso desenvolver habilidades em áreas além da minha formação. Essa liberdade tem me permitido descobrir outros interesses e hobbies.

Iniciei me aprofundando mais sobre como me comunicar em público e tive um grande aprendizado. A primeira coisa que fazemos quando nascemos é respirar e levamos uma vida toda desaprendendo o que parece ser tão elementar. O controle da respiração é uma das primeiras ações para o controle da ansiedade. Isso despertou o meu interesse em meditação, que me levou a yoga e hoje sou praticante assídua de ambas. Outro fato relevante que me deparei foi que nós humanos, quanto espécie, temos comportamento similares. Isso me levou também a estudar melhor o comportamento da mente humana, visando desenvolver a minha inteligência emocional.

Praticando yoga.

Nesse período, também tive meu “salário” cortado pela metade, já que não contava mais com a bolsa do estágio. Isso despertou o meu interesse em finanças pessoais, passei a estudar mais sobre o assunto e hoje já colho o fruto de algumas aplicações de curto e longo prazo, como uma reserva para a minha aposentadoria.

Em Outubro, fui convidada para participar de um projeto do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) como consultora em economia circular. O projeto aconteceu em Maceió e foi uma oportunidade para eu retribuir a minha terra um pouco do meu aprendizado. O nosso objetivo foi fazer um diagnóstico dos resíduos da cadeia de pesca artesanal da cidade, com foco principal no sururu. O sururu é patrimônio imaterial do estado de Alagoas e muitas famílias vivem da pesca e venda do molusco. Durante o projeto, coordenei a coleta de dados in loco nas favelas, entrevistei os atores-chaves e assim pude compor o mosaico ambiental e social da vida daquelas pessoas. Me tornei voluntária da ONG Mandaver, que é uma franquia da Gerando Falcões, colaborando com as atividades que acontecem na sede.A minha participação me enche de orgulho, pois o projeto visa encontrar uma solução para um problema ambiental, que resultará na geração de renda para os envolvidos e englobará os pilares da sustentabilidade, contribuindo assim para uma sociedade melhor.

Durante o tempo que estive em Maceió, iniciei uma pós-graduação em gestão empresarial, pois percebi que para causar o impacto que quero na vida das pessoas dentro do mundo corporativo, preciso entender melhor as diversas áreas de uma companhia. Também resolvi aprender um novo idioma e iniciei meus estudos no espanhol.

Finalizei a minha participação no projeto e resolvi voltar a morar no interior de São Paulo em agosto desse ano. Aqui me tornei empreendedora em palhas italianas. Sim, cozinhar também é um hobbie para mim. Passei a frequentar as reuniões de um grupo de empresários da cidade de São Carlos, onde conheço gente nova toda semana e venho aprimorando o meu negócio. Na semana passada, apoiamos uma campanha do outubro rosa, na qual cada palha italiana vendida foi feita uma doação para a compra de batons para as mulheres que estão lutando contra o câncer.

Campanha Palha Italiana da Bia.

A J&J é cuidado desde que somos pequeninos até adultos. Cresci no litoral e ir a praia sempre foi a nossa melhor maneira de se divertir em família. Castelinho areia. Pegar Jacaré. Podia passar o dia despreocupada, pois nunca faltou Sundown. Seu cheiro me traz a lembrança de quem eu sou, das minhas raízes e das pessoas que eu amo. Ser trainee na J&J é a oportunidade de levar experiências prazeirosas de maneira cuidadosa para mais pessoas. Para que elas sempre lembrem que tudo bem se machucar, são essas as situações que a tornarão mais fortes, seja pelo aprendizado ou por um Band-Aid.