Como nós (não) ficamos juntos.

Seus olhos estão avermelhados demais e eu pareço me perder em uma dimensão paralela. Engraçado como a juventude se instalou em nós; nos excessos. Excesso de bebida, de cigarro, de maconha, excesso de dor. Achamos maneiras de burlar todo esse sofrimento que vem com os nossos 20 e poucos anos, elas não são saudáveis, mas garantem uma risada extremamente sincera e confortável numa tarde quase ensolarada de quarta-feira.

Você sorri pra mim, com uma pretensão de quem não pretende nada. Eu sorrio pra você, eu pretendia. Falamos, lotamos o ar de palavras e contamos histórias profundas sobre nossas existências. Estávamos totalmente nus e nossas almas dançavam numa atmosfera que há muito não compartilhávamos. Agora, nós falamos de nós dois, dos planos pro futuro, da nossa casa, dos nossos empregos e da quantidade quase letal de sexo que faremos por dia. Seu olhar começa a esmagar tudo o que eu sou e todas as minhas certezas. Eles falavam comigo e me diziam que eu era a mulher mais linda do mundo. Você me elogia de um jeito sincero, diz que quando eu estou muito confortável eu fico muito bonita e ,que eu, por ser eu, sou linda. Eu sorrio novamente, e suspiro preocupada: te querer é fora de cogitação.

How I Met Your Mother (7x10 “Tick Tick Tick”

Voltamos pra casa, ainda atropelando os assuntos e rindo felizes. Deitamos na minha cama, você fica perto dos meus joelhos e os abraça, enquanto esfrega o nariz lentamente sobre minhas coxas. Minhas mãos afagam seus cabelos, fartos e pretos, e eu perco o controle dos meus batimentos cardíacos. Você prossegue deixando suas digitais no meu corpo, minhas pernas, costas, barriga. Sua respiração também já perdeu o padrão e, por um segundo, eu sei que você quer estar nisso tanto quanto eu. Ficamos mais próximos, eu sinto cada milímetro seu. Coloco as mãos sobre seu peito, seu coração pulsa forte e eu penso que talvez você me ame. Quero acreditar que você me ama, por mais mentiroso que seja, eu quero acreditar.

Desejei que aquele jeans apertado não estivesse ali, que sua camiseta cinza também estivesse no chão, e eu poderia te sentir, finalmente. Você e suas mãos espertas, que sabiam exatamente pra onde ir, qual pressão colocar e como me fazer sentir. Elas estão no meu pescoço e você o aperta, e passa sua língua pela minha nuca. Você despe meu ombro enquanto roça seu nariz no meu e respira excitado e cego. Nossos lábios se tocam quase despretensiosamente, não era beijo, era algo tão nosso que ainda não soube nomeá-lo. Você lambe meu lábio, de cima a baixo.

Você se culpa. Se levanta, pega sua carteira e toma o elevador. Eu não te vejo ir, mas é uma memória tão vivida que me pergunto se eu realmente vi você esperando o elevador, me olhando apaixonado e constrangido, e indo embora.

Talvez você a ame, talvez ela seja a mulher da sua vida e talvez isso não tenha passado de uma daquelas vezes que a gente precisa errar pra entender que já estamos acertando. Algum dia, num futuro não tão impossível, você esteja com ela e esteja feliz. Você e sua namorada, e a história sem falhas. Mas, vez ou outra, sua mente se transporte pra perto de mim, pra suas mãos no meu corpo, pro seu olhar que te entrega todos os aspectos. E, se você se lembrar, espero que você não diga que não significou nada.

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