sobre festas e fins do mundo.

boa parte de mim te quer em festa e no fim do mundo. te procuro dentre todas as pessoas. te imagino tão intensamente que agora todos parece minimamente com você. todos tem seus olhos, a cor da sua pele, sua altura. todos são você quando eu estou cercada pelo medo (ou pelo álcool), quando te procuro.

te quero na tormenta. na música alta, nos corpos juntos demais, no ar turvo. a gente tende a procurar abrigo quando nos sentimos ameaçados. eu quero me abrigar em você nos dias e festas de tormenta. existe um distanciamento quando falo sobre seus braços magros envolvendo meu corpo, quando reflito sobre suas respiração quente e sobre suas mãos grandes. existe o mundo lá fora, existe a festa, o carnaval, e existe você, calmo, sereno, quieto. seu corpo e seu ser me puxam pra longe da confusão, mesmo que ela também sambe violentamente em cima de nós dois.

hoje é fim do mundo. nos mandaram fechar as janelas, desligar as luzes e esperar. ninguém nos disse a que esperar. a salvação? a morte? ao nada?

hoje é fim do mundo, e eu não fechei as janelas, deixei que o caos envadisse minha sala de estar e visitasse as fotos dos meus pais e dos meus amigos de longa data. eu deixei que a tormenta me envadisse. nos mandaram esperar, e eu esperei, como quem aguarda ansiosamente uma visita. você vem?

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