Querido J&J,

No passar dos meus atuais 25 anos, sempre foi difícil para mim receber elogios, no sentido de que não sei bem como reagir quanto a isso (nem nunca soube) e por isso nunca fui muito boa em “vender meu peixe” — podemos colocar isso nos meus defeitos, eu acho — mas sempre fico feliz quando me dão a chance de mostrar quem eu sou e o que podemos ser, afinal nunca fui tímida e dos poucos elogios que recebo e me são confortáveis, ouvir que sou alguém que alegro o ambiente me é reconfortante e constante.

Não tive uma vida difícil, até porque gosto de pensar que tudo é relativo e momentâneo, então momentos acontecem e isso não me faz taxar minha existência como boa ou ruim. Sou muito grata por ter sempre tido uma família unida e o apoio dela em tudo, estudei em escolas particulares, fiz cursos de japonês, piano e até ginastica artística, quebrei o mindinho num rebote de basquete e nunca consegui correr mais de 200m sem parecer que vou ter um ataque cardíaco, mas engraçado como consigo dançar Zumba por 3h seguidas em um “aulão 40 graus”. Eu acredito muito que respeito e honestidade são as maiores virtudes de um ser humano, que ninguém é completamente bom ou mau, muito menos que pessoas nascem com tais alinhamentos e que a vida mais nos ensina sobre nós mesmos do que nós aprendemos sobre ela. 
Não acho que eu tenha nenhum verdadeiro arrependimento na vida, já que pensando rápido nada grande vem a cabeça. Tudo o que fiz e passei me fez entender um pouco mais de como devo ser e por isso acho que não tenho vontade de mudar meu passado. Meus familiares sempre tiveram muita expectativa em mim, sempre me virão como alguém que seria grande um dia por ser “inteligente e determinada”, e disso tenho sentido falta nos últimos meses. Sendo honesta (e modesta), sempre me senti capaz! Sempre tive força de vontade e gosto de concluir tudo o que começo, e concluir bem! Até mesmo por isso que fiz minha monografia, me formei em Design esse ano, de um assunto que ia contra a minha grade curricular mas refletia o que eu queria para o meu futuro, e que se eu não pudesse começar a construir aquilo mesmo sem apoio didático e bibliográfico do acervo da universidade e de um orientador profissional no assunto, eu não me sentiria começando a minha jornada.

E eu conclui, com orgulho e êxito, mas não posso dizer que foi fácil ou que não teve seu preço. Infelizmente, desde agosto de 2017, estou em uma batalha contra a Depressão. Durante o tratamento pude constatar que a escolha de seguir com o curso, longe da minha família, e a pressão que eu mesma sempre me impus de ser sempre a melhor versão de mim, mesmo durante momentos de dificuldade e frustração com acontecimentos externos e fora do meu controle, prejudicaram minha saúde. Hoje já estou melhor e nem isso mudaria, pois foi a doença que me apresentou a terapia com psicólogos, o que hoje vejo como algo extremamente benéfico e que ajuda muito a viver com qualidade. Cheguei ao tratamento falando sobre minha doença e minhas dificuldades pessoais, mas constantemente encerramos falando sobre saúde, causas sociais, cultura (principalmente atemporal), hábitos saudáveis(de boa alimentação a coisas que relaxam) e até teorias existenciais, que são exemplos de coisas que gosto muito de pensar, sempre me ajudaram a me sentir mais viva. Pensar e questionar coisas é algo que me deixa relaxada e contente, pois me sinto tentando fazer uma conexão com o mundo, até porque não tenho vontade de ser lembrada para sempre, mas gostaria de fazer algo que ajude outras pessoas, até por essa razão sempre me interessei por acessibilidade enquanto cursava e junto com três amigas escrevemos um artigo sobre reabilitação de pacientes de AVC através de jogos digitais, foi maravilhosa a experiência. 
Sendo muito sincera, cheguei no processo de trainee da J&J por estar procurando seguir com a minha vida, levantar a cabeça e agarrar as oportunidades que encontrar. Tenho interesse particular pela companhia porque tem um alcance global, possui valores que prezo e não apenas diz tê-los, mas demonstra sempre com ações, seja por produtos e marcas direcionadas a públicos invisibilizados, ou campanhas de causas sociais importantes. Por ter interesse principalmente pelos setores criativos, tenho admiração pelas equipes de criação, marketing e desenvolvimento (a única escova de dentes de fácil acesso que já funcionou para mim é a J&J Reach eco essencial média, e MUITO OBRIGADA por ela). Assim como eu, tenho certeza de que vários produtos e campanhas (como a CaringCrowd, que mesmo não tendo nenhum vínculo com a J&J, como ser humano, eu vibrei muito com a premiação do projeto em 2017) mudam a vida das pessoas para melhor, com grandes ou pequenas felicidades.

Minha pequena felicidade J&J, fora o hidratante e colônia (baby) Hora de Dormir, fio dental Reach e tudo o que já testei até hoje da Neutrogena.

Eu acredito que todos tem seu valor e tenho certeza que posso agregar algo a empresa, assim como, se a J&J me der a honra de poder fazer parte da equipe, vai me ajudar a continuar a minha busca pela melhor versão de mim. Independente do resultado do processo, meu muito obrigada pela oportunidade e por querer saber um pouco mais sobre mim. E fica meu desejo de bom dia para quem estiver lendo essa carta (lembre-se que o dia tem 24h, então mesmo que já seja noite… ainda é dia!).