A esquerda paloccista e o exemplo do Uruguai
As eleições estão aí e nesse momento todos nós paramos para refletir sobre o Brasil que queremos. Acho importante analisar exemplos de outros países como o que trago aqui. Nesse contexto de debate tão polarizado que estamos vivendo, acho que faz bem também perceber que existe uma terceira via — que muitas vezes é o melhor caminho a seguir.
O Uruguai, nosso vizinho, está completando 15 anos de crescimento econômico ininterrupto. É um país pequeno, essencialmente agrícola, que era extremamente dependente e sujeito às flutuações de mercado de seus dois gigantes parceiros comerciais — Brasil e Argentina. Até 2005, sua população sofria com um índice de 40% de pobreza. Agora, esse índice não chega a 9% e sua economia continua a prosperar mesmo com a atual crise vivida por seus dois grandes parceiros comerciais.
Em 2005, o governo foi assumido pelo Frente Ampla — partido de esquerda — e, desde então, o que se tem visto por lá é dos melhores exemplos históricos na América Latina. Um verdadeiro case de sucesso de nação com direito a crescimento, redução de pobreza, de desigualdade e estabilidade econômica.
Não houve lá nenhuma revolução, nem calote em dívida, nem estatização de empresas, nem política de incentivo à campeãs nacionais, nem política de substituição de importações, nem nada para lutar contra forças ocultas do capitalismo malvado e nenhum outro plano mirabolante e megalomaníaco de desenvolvimentismo. Experimentalismos nas políticas macroeconômicas tampouco.
A receita do sucesso é simples, assim como é simples o estilo de vida da população por lá — que não parece prezar muito por marcas grifadas e grandes luxos — quase um Mujica way of life.
Destaco esses pontos que parecem fundamentais:
- Souberam aproveitar as vantagens comparativas reveladas de sua produção, explorando o comércio de commodities e carne bovina, em que possuem elevada produtividade, enquanto continuaram a importar mais produtos industrializados de países mais produtivos nessa área;


2. Mantiveram as políticas cambial, monetária e fiscal consistentes com a estabilidade macroeconômica;
3. Simplificaram impostos;
4. Incentivaram o investimento estrangeiro produtivo;
5. Mantiveram uma forte accountability — com elevada transparência fiscal nos gastos e incentivos e intercâmbio de informações.
Com melhoria no ambiente de negócios e a credibilidade da política econômica, o aumento dos investimentos de qualidade foram uma consequência óbvia.
No gráfico a seguir, o Índice de Liberdade de Negócios do Uruguai é mostrado em comparação com a média mundial — em amarelo — e com o Brasil — em rosa. Precisamente em 2005 os países começaram a divergir nesse importante aspecto.

A liberdade de investimentos entre os países também é cada vez mais díspar.

O aumento contínuo do comércio com outros países do mundo reflete essa maior abertura pela qual a economia uruguaia passou.

Enquanto o Brasil está na 153ª colocação em termos de liberdade econômica no ranking elaborado pela Fundação Heritage, o Uruguai ostenta a 38ª colocação. Nossos vizinhos de ranking são Congo, Afeganistão, Malawi, Irã e por aí vai…
Bom, a receita é simples, sem invencionismos, mas não parece agradar nada os planos da esquerda que agora domina o embate político no Brasil. Como ressalta Pedro Menezes, em seu artigo para a Gazeta do Povo do dia 20/08, dá saudades da esquerda paloccista que nunca existiu.
Eu sonho com o dia em que a esquerda brasileira olhará de fato para esses casos de sucesso e para os casos de fracasso, como o da Venezuela, sem hipocrisia, sem medo de ver o que não quer, e que percebam que não há porque reiventar a roda. Percebam que há uma terceira via, como a do Uruguai, e que não há como fazer política social sem seriedade e pragmatismo na condução da economia.
