A esquerda paloccista e o exemplo do Uruguai

Teobias
Teobias
Sep 6, 2018 · 4 min read

As eleições estão aí e nesse momento todos nós paramos para refletir sobre o Brasil que queremos. Acho importante analisar exemplos de outros países como o que trago aqui. Nesse contexto de debate tão polarizado que estamos vivendo, acho que faz bem também perceber que existe uma terceira via — que muitas vezes é o melhor caminho a seguir.

O Uruguai, nosso vizinho, está completando 15 anos de crescimento econômico ininterrupto. É um país pequeno, essencialmente agrícola, que era extremamente dependente e sujeito às flutuações de mercado de seus dois gigantes parceiros comerciais — Brasil e Argentina. Até 2005, sua população sofria com um índice de 40% de pobreza. Agora, esse índice não chega a 9% e sua economia continua a prosperar mesmo com a atual crise vivida por seus dois grandes parceiros comerciais.

Em 2005, o governo foi assumido pelo Frente Ampla — partido de esquerda — e, desde então, o que se tem visto por lá é dos melhores exemplos históricos na América Latina. Um verdadeiro case de sucesso de nação com direito a crescimento, redução de pobreza, de desigualdade e estabilidade econômica.

Não houve lá nenhuma revolução, nem calote em dívida, nem estatização de empresas, nem política de incentivo à campeãs nacionais, nem política de substituição de importações, nem nada para lutar contra forças ocultas do capitalismo malvado e nenhum outro plano mirabolante e megalomaníaco de desenvolvimentismo. Experimentalismos nas políticas macroeconômicas tampouco.

A receita do sucesso é simples, assim como é simples o estilo de vida da população por lá — que não parece prezar muito por marcas grifadas e grandes luxos — quase um Mujica way of life.

Destaco esses pontos que parecem fundamentais:

  1. Souberam aproveitar as vantagens comparativas reveladas de sua produção, explorando o comércio de commodities e carne bovina, em que possuem elevada produtividade, enquanto continuaram a importar mais produtos industrializados de países mais produtivos nessa área;
Produtos exportados pelo Uruguai (2018)
Produtos importados pelo Uruguai (2018)

2. Mantiveram as políticas cambial, monetária e fiscal consistentes com a estabilidade macroeconômica;

3. Simplificaram impostos;

4. Incentivaram o investimento estrangeiro produtivo;

5. Mantiveram uma forte accountability — com elevada transparência fiscal nos gastos e incentivos e intercâmbio de informações.

Com melhoria no ambiente de negócios e a credibilidade da política econômica, o aumento dos investimentos de qualidade foram uma consequência óbvia.

No gráfico a seguir, o Índice de Liberdade de Negócios do Uruguai é mostrado em comparação com a média mundial — em amarelo — e com o Brasil — em rosa. Precisamente em 2005 os países começaram a divergir nesse importante aspecto.

Índice de Liberdade de Negócios do Uruguai (cinza), Mundo (amarelo) e Brasil (rosa). Fonte: fundação Heritage (2018).

A liberdade de investimentos entre os países também é cada vez mais díspar.

Índice de liberdade de investimentos do Uruguai (cinza), Mundo (amarelo) e Brasil (rosa). Fonte: Fundação Heritage.

O aumento contínuo do comércio com outros países do mundo reflete essa maior abertura pela qual a economia uruguaia passou.

Importações (vermelho) e exportações (azul) do Uruguai entre 1995 e 2016.

Enquanto o Brasil está na 153ª colocação em termos de liberdade econômica no ranking elaborado pela Fundação Heritage, o Uruguai ostenta a 38ª colocação. Nossos vizinhos de ranking são Congo, Afeganistão, Malawi, Irã e por aí vai…

Bom, a receita é simples, sem invencionismos, mas não parece agradar nada os planos da esquerda que agora domina o embate político no Brasil. Como ressalta Pedro Menezes, em seu artigo para a Gazeta do Povo do dia 20/08, dá saudades da esquerda paloccista que nunca existiu.

Eu sonho com o dia em que a esquerda brasileira olhará de fato para esses casos de sucesso e para os casos de fracasso, como o da Venezuela, sem hipocrisia, sem medo de ver o que não quer, e que percebam que não há porque reiventar a roda. Percebam que há uma terceira via, como a do Uruguai, e que não há como fazer política social sem seriedade e pragmatismo na condução da economia.

Às vezes tenho umas ideias

Welcome to a place where words matter. On Medium, smart voices and original ideas take center stage - with no ads in sight. Watch
Follow all the topics you care about, and we’ll deliver the best stories for you to your homepage and inbox. Explore
Get unlimited access to the best stories on Medium — and support writers while you’re at it. Just $5/month. Upgrade