Se as pessoas fossem cidades.
Por que nessa cidade que não faz frio, eu observo o cinza da cidade se lavar em cores. Você percorre as ladeiras e canta baixinho alguma música que eu não conheço (mas já amo) e você habita os ladrilhos desse chão como se fossem sua pátria. Seu despudor me encanta. Sua inteireza, a beleza do ser no simples fato de estar.
Você habita as raízes das árvores rebeldes que se erguem do concreto, a poeira das livrarias, o amargo desse café frio pela contemplação do fenômeno da natureza que é você. Não sinto ciúmes dos olhares furtivos dos rapazes no metrô, que admirem o som do seu sorriso que com olhos despidos observam o seu corpo. Você é um museu ambulante, arte na sua pura forma. Você é Tom Waits na madrugada e Leonard Cohen ao acordar. É esse tudo, esse Outro, que me faz perder o sono e transpirar ausência.
Se você fosse uma cidade, seria habitada, pela luz laranja mais bonita que entra pela janela as cinco da tarde.
E eu, seria seu eterno patriota.