Engajar e transformar: é só começar.

Como usamos o nosso tempo e habilidades para causar uma revolução digital em uma ONG, em uma semana.

Todos sabemos da importância e relevância de projetos sociais, qualquer que seja a sua causa. Crianças em situação de vulnerabilidade, adultos em situação de rua, animais abandonados, refugiados e imigrantes buscando apoio em outro país.. Cada um deles, e a sociedade como um todo, tem muito a se beneficiar de ONGs e instituições determinadas a fazer a diferença.

Mas apesar de reconhecer e apoiar essas causas, muitas vezes agimos apenas como espectadores, contribuindo com campanhas sazonais ou dando likes no Facebook. Para muitos de nós, falta tempo, faltam recursos, falta disponibilidade, falta acesso e, honestamente, sobram desculpas.

Até essa semana, eu fazia parte desse grupo. Mas os últimos dias me fizeram ver que essas ONGs precisam de apoio em áreas que nós temos conhecimento e experiência, e essa ajuda pontual pode causar uma transformação muito maior do que uma doação ocasional em dinheiro.

Como parte do Gama Experience, programa de desenvolvimento profissional (e pessoal) da Gama Academy, fomos desafiados a promover uma transformação digital: usar as nossas habilidades em desenvolvimento, design, marketing e negócios para potencializar um projeto social.

Em 7 pessoas, com nossos backgrounds diversos e complementares, comprometidas com a causa durante pouco mais de uma semana, nós trouxemos para o mundo virtual, com uma estrutura profissional, um projeto que há seis anos transforma vidas em uma comunidade de São Paulo, sem a devida visibilidade e apoio.

Esse post quer te mostrar que é possível, é mais fácil do que parece, e é capaz de impactar as vidas de diversas pessoas.

1 — Por onde começar?

Começamos pela escolha de um projeto. Há muitas causas nobres e projetos sociais precisando de apoio — escolher uma não foi tarefa fácil. Mas já que o foco da transformação era a aplicação máxima dos nossos recursos e habilidades, e a necessidade principal da ONG deveria ser atendida através de uma estratégia digital, focamos a busca em projetos que já tivessem uma certa estrutura.

Nesse processo, fomos apresentados ao Rick e ao Instituto Ubuntu pela Bia, membro do nosso grupo comprometida com a transformação social desde os 6 anos de idade (!) através da sua própria ONG.

O Instituto Ubuntu é uma ONG que atua em Guarulhos e São Paulo, trabalhando com crianças em diversos projetos, com destaque para dois: o Dançando pela Vida, um projeto de empoderamento de crianças em comunidades através da arte e da dança; e o Amigos da Vida, um projeto de cuidado e apoio para crianças diagnosticadas com HIV Positivo.

O grupo todo se engajou com o projeto. A capacidade de ver além do preconceito e investir todos os recursos à disposição para ajudar essas crianças e adolescentes, nos conquistou na hora.

Entramos em contato, firmamos a parceria, e imediatamente fomos ao próximo passo: focar nos desafios que a ONG encontrava, e em como nós podíamos transformar.

2 — Mapeando as necessidades

As principais dificuldades da ONG giravam em torno da comunicação das suas propostas. Era preciso divulgar o seu trabalho, de forma clara e que contribuísse com a aceitação e compreensão por parte de associados e de empresas que queiram ligar o seu nome ao projeto.

Era preciso também passar credibilidade e segurança no momento da captação de recursos e ao mostrar os projetos, equilibrando a sensibilidade para tocar o coração das pessoas, com a seriedade para que elas confiem ao contribuir.

Além disso, há os desafios de operação e recursos. Por exemplo, as crianças HIV positivo da instituição que o Ubuntu sofrem com a falta de alimentos. O leite fornecido pelo governo tem um teor muito alto de gordura para as crianças soropositivo, que tem limitações nutricionais sérias. Assim, a ONG busca arrecadar litros de leite semi-desnatado mensalmente.

Com os desafios mapeados e sem muito tempo para o planejamento, traçamos as estratégias e começamos a trabalhar.

3 — Colocando a mão na massa

Para ajudar com a divulgação, atribuir credibilidade e potencializar a captação de parcerias e recursos, as estratégias traçadas foram:

  • O desenvolvimento de um site que explique em detalhe a importância de cada causa e projeto, além do Instituto como um todo;
  • A aquisição de um domínio .org, para gerar mais credibilidade às iniciativas;
  • Uma nova identidade visual, com aspecto minimalista e profissional;
  • Redes sociais para divulgação das ações: Facebook, Instagram e Youtube;
  • Funcionalidade de pagamento para facilitar a arrecadação de recursos direcionados à alimentos, litros de leite e custos operacionais dos projetos;
  • Visita à um dos projetos da ONG e captação de imagens para contar a sua história e detalhar a transformação em vídeo.

Já que o time era multidisciplinar, cada um focou na sua área e em questão de três dias já tínhamos uma versão inicial do site e a nova identidade visual no ar.

Antes e depois da identidade visual da ONG.

O site foi desenvolvido usando o framework Materialize, que é baseado no material design e está rodando no servidor cloud Microsoft AZURE. A compra do domínio incluiu uma certa burocracia, mas nos próximos dias a URL ubuntu.org pertencerá ao Instituto, sendo mais uma validação para as suas ações.

O contato constante e disponibilidade do Rick, responsável pela ONG, nos permitiu coletar as informações para construir o conteúdo para o site. E um cadastro no PagSeguro e a sua integração no site pretendem facilitar a arrecadação de recursos, através de ações online.

4 — Vendo de perto

Uma vez que as ações estavam em desenvolvimento, parte do grupo foi conferir de perto o trabalho do Instituto, acompanhando um evento do projeto Dançando pela Vida, em uma escola no bairro dos Pimentas, em Guarulhos.

A intenção era coletar informações e captar imagens sobre o projeto, mas o resultado final foi um grande impacto no grupo.

Esse polo é recente, portanto tinham 5 alunas fazendo aula de teatro no dia, todas muito engajadas e curiosas. Quem ministrou a aula foi o próprio Rick, fundador do Instituto, colocando em prática um pouco da arte da improvisação.

Parte do grupo com as crianças na sua oficina de teatro

Uma das alunas que nos chamou a atenção foi a Yasmin, filha mais velha entre 6 irmãos, ela faz parte do coral da igreja. Ela é a única da família que frequenta a igreja, através da influência de um amigo da classe. Quando perguntamos o que ela queria pro futuro, ela respondeu que queria continuar firme na congregação com Deus e que queria dar o melhor para a família dela.

A Yasmin nos mostrou que mesmo na condição financeira precária, o que essas crianças mais carecem é de afeto emocional. Outro aspecto marcante dessa experiência foi descobrir que no pólo eles não comemoram o Dia dos Pais, nem o Dia das Mães — e sim, o dia de quem cuida de mim, porque a grande maioria das crianças não tem uma família estruturada e são criadas por avós, vizinhos, parentes distantes, entre outros.

Tivemos a oportunidade de presenciar o trabalho, e conferir de perto que os projetos já fazem parte da realidade de muitas crianças. Seus sonhos aos poucos se tornam cultura, informação e autoestima para alcançar o que desejam.

Em meio a isso, a parte prática do projeto se tornava cada vez mais secundária perto do crescimento que o contato com o Instituto e as crianças proporcionou.

5 — Espalhando a mensagem

Após a visita, foi questão de amarrar as pontas, editar o vídeo, finalizar os detalhes e deixar prontos para a ONG diversos recursos digitais capazes de potencializar o seu trabalho.

Hoje, você pode conferir informações sobre o Instituto Ubuntu, seus projetos e seu impacto direto no site.

Você pode ver mais sobre a transformação digital realizada no vídeo:

Pode também contribuir com essa causa diretamente, via PagSeguro.

E pode seguir nas redes sociais: Instagram e Facebook.

Tudo isso para contribuir com a inserção no mundo digital de uma força de mudança que é muito real para centenas de crianças e adolescentes, que enfrentam dificuldades inimagináveis.

Se tem algo que vai ficar para sempre conosco depois desse projeto, é o significado da palavra ubuntu: “eu sou porque nós somos”. A evolução do indivíduo passa pela transformação do coletivo, em um ciclo capaz de impactar quem doa e quem recebe, de infinitas formas.

O Instituto impacta diretamente a vida dessas crianças. Nós causamos impacto no Instituto, através dos nosso tempo e esforço, e essas crianças e suas histórias nos impactaram de forma definitiva.

Fazer o bem não só faz um bem imenso, como é muito mais fácil do que parece. Viva essa experiência. Encontre um projeto, ofereça as suas habilidades e recursos disponíveis, enfrente um desafio real, transforme e seja transformado.

+ Aquecendo o coração

Se a simplicidade e todas as recompensas envolvidas no processo ainda não te convenceram a procurar a ONG mais próxima, deixo a mensagem abaixo, que recebemos do responsável pelo Instituto Ubuntu após a entrega das ações.

Das coisas que fazem tudo valer a pena: o agradecimento ao grupo, do responsável pela ONG

Gratidão genuína, recíproca, transformadora. E uma parceria que ainda tem muitos frutos a render — em nós, e neles.

“Ubuntu não significa que uma pessoa não se preocupe com o seu progresso pessoal. A questão é: o meu progresso pessoal está ao serviço do progresso da minha comunidade? Isso é o mais importante na vida. E se uma pessoa conseguir viver assim, terá atingido algo muito importante e admirável.” (Nelson Mandela)

OBS: Esse relato foi compartilhado em primeira pessoa através do meu perfil, mas todos os "eu" e "nós" nesse texto se referem também à:

Beatriz Martins, que com a sua rede de contatos construída com anos de trabalho social na ONG Olhar de Bia nos aproximou do Instituto Ubuntu e seus responsáveis. Thays Giotto e Andreia Barbosa, designers multi-talentosas, que colaboraram ativamente com o site, além de construírem a identidade visual. Ian Rocha e Rodrigo Mizokami, desenvolvedores que viabilizaram o site e a plataforma de pagamentos. E Nataly Alcântara, que com a sua habilidade em edição de vídeo, resumiu em três minutos esse projeto, sem deixar faltar a sua intensidade.