Cacos

Ele coçou levemente a cabeça e de repente se viu em um futuro próximo, onde teria que dar explicações sobre respostas que também aguardava. Se sentiu tolo por se ver em uma situação que não construiu. Que independia dele.

Formulou cenas, criou roteiros, inverteu situações… Ele queria fugir das futuras perguntas, que certamente teriam um tom invasivo e precipitado. Ele não podia arcar com suas reações, e ele nem tinha a certeza se as teria um dia. Não havia resposta, não havia motivos para reagir.

Mas seus pensamentos antecipados não iam embora, ele não conseguia se desvencilhar das suas incertezas, apesar dos temores, não podia fazer nada, se não esperar. Os dias caminhavam a passos largos, entretanto, as respostas se afastavam do seu destinatário na mesma proporção. Ele não podia mais esperar, nem gostaria, só queria evitar os questionamentos. Só queria poder seguir sem deixar rastros de incertezas.

Ele se foi mesmo assim… E não pretende voltar, sabe que deixou cacos e não quer mais se cortar com eles.

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