Alguém que me adora, que me ache foda

Numa conversa com uma amiga percebi que ao longo dos meus relacionamentos tive poucas pessoas (um namoro e um ficante) que realmente me admiravam.

“Pô, mas Beatriz, você é incrível, olha só o que você faz sozinha sem ajuda de ninguém, você sabe costurar, bordar, dar cambalhota e ainda é bonita, como não te amar?”

Eu penso o mesmo, sei que sou foda. Mas isso não interfere no outro, certo?

Vamos lá, há uma falácia de que quando você sabe quem é as outras pessoas se atraem e confiam nisso. Sim, elas podem até se atrair pela sua luz, mas não significa que elas vão querer se iluminar também. Às vezes a pessoa se atraiu como um mosquito como única função de azucrinar. Sim, nem sempre quem se atrai pela sua autoestima é aquele que vai apreciar verdadeiramente isso. Pode ser uma pessoa invejosa, ou aquele que te quer por para baixo para se sentir bem, ou só alguém que não acrescenta em nada mesmo.

Há uma diferença entre admiração e ilusão. Nem sempre quem te acha foda é a pessoa que vai entender o dia que a tristeza aparecer. Na ilusão se cria um pedestal e no pedestal não há defeitos. Se rolar não era para ser, não tem porque continuar, tchau. A admiração você entende que o outro é chato com arrumação, porém diz que adora seu sorriso. Que há uma preferência entre Superman ao invés de Batman (risos), mas ele te pergunta se você gosta de tal música e te ouve.

Com esta questão na minha cabeça, perguntei a outras pessoas. Como meu ciclo é de mulheres, perguntei as manas próximas e apenas agora, na vida adulta, algumas estão experimentando isso. E gostando, porque não? Admirar é você gostar da pessoa como ela é. E aceitar isso. E amar isso.

Mas porque levasse tanto tempo de ficar com alguém que faça que nem o Will Smith com a Jada? Será que isso tem a ver realmente com a gente? Se a gente não tem autoestima só encontraremos gente que nos põe para baixo? Pode até ser uma tendência, Freud diz sobre, mas eu digo que isso não é uma regra.

Para o outro admirar precisa entender que amor não é uma competição. Que me conquistar, por exemplo, oh mulher incrível, não vai o fazer ganhar um troféu no seu armário. Que somos pessoas de verdades, que vai ter vezes que a falta de dinheiro vai interferir no sexo sim. Não nos achar tão foda a ponto de ter medo de não saber dar um não, por exemplo. Não passar por cima, não achar que “se terminar, nunca mais vou achar ninguém que me ame do mesmo jeito que você”. Não pôr para baixo, mesmo que goste de algumas coisas que a pessoa faça. Não enxergar num futuro algo programado. E sim, ser seguro de si.

Se você nunca admirou ninguém num relacionamento, pensa no que te atrai numa pessoa. Faça uma lista, sei lá. Comece a ver a pessoa como pessoa, não como Beyonce. Seja real. Se você nunca namorou (ou está com alguém que) ninguém que te admirou, eu dou como conselho para procurar quem fará isso. A relação, deste jeito, é para além do romântico sexual. É adulto e o principal, saudável!