Desafio do relacionamento sem Tinder Part I

Sim, este texto fala sobre Tinder e sobre relacionamentos atuais.

Posso dizer que sou uma pessoa bem sucedida no Tinder. Tive 2 namoros começados por lá, alguns outros ficantes divertidos (outros nem tanto). Entrei em 2014, então vamos dizer que sou uma PhD no aplicativo para encontros, já que também estive no Ok Cupid, Badoo, Happn. Conheço gente que também começou namoro por estes aplicativos. Alias muita gente. Difícil hoje em dia encontrar uma pessoa que não usa este tipo de ajuda para sair com alguém.

Em tempos de tecnologia é difícil lembrar como era sua vida depois de algum aplicativo de celular que a facilite. Ou por um acaso você se lembra como se comunicava antes do Whatssap? Tinder (vou falar muito deste porque é o mais fácil de mexer e popular) ajudou a muitos que tinham uma vida amorosa nebulosa a se descobrirem. Ajudou-me a sair daquele ranço de “preciso arrumar alguém” depois de um longo namoro. A gente ter experiências sexuais incríveis, a arrumar namorado, a sair com pessoas do mesmo sexo. Logo, não tiro o mérito destes apps.

E vamos confessar, é muito fácil pegar alguém com este tipo de app. Sabemos o objetivo da pessoa que está ali sem tentar adivinhar o que está na cabeça dela, pegando sinais às vezes inexistentes. Pelas fotos julgamos se aquela pessoa faz o nosso número, e se não for passamos. Simples, deste jeito. Depois, uma conversa que logo se torna mecanizada (“oi tudo bem o que você faz o que você estuda borá se ver?”). E finalmente, o encontro. Claro, acontece de ter surpresas ao ver a pessoa ao vivo (é mais baixo, é mais feio, é mais chato), mas em 80% dos casos rola beijo. E a época de seca acaba. Se o beijo for bom, rola outro encontro e quem sabe, sexo na mesma noite. Viu? Fácil?

Mesmo sendo uma pessoa bem sucedida no Tinder, agora solteira resolvi fazer um desafio: Não usar estes apps para pegar ninguém. Sim e já confesso: Se entrei lá mais de uma vez neste momento que estou solteira era para ter certeza que estou cansada do esquema da internet. Então resolvi fazer este texto porque este desafio está mais para uma analise social da geração Y em relação a namoros.


É difícil. Não lembrava, mas era quando não usava o Tinder e quanto mais velha você fica, mais difícil parece. O flerte é uma arte, é algo que precisa ser cultivado e depois de vários calos o cansaço é aparente.

“Vou pegar fulano,mas acho que fulano tá pegando alguém, ok, próximo”

“Opa, o próximo é gato, mas não sai de cima do muro, preguiça, vamos ver este”

“Não rolou mais assunto depois do ‘novas’, acho que ele não me quer.”

O flerte é para quem tem muita paciência. É para quem realmente quer. Para quem tem o dom de fazer com que o outro se interesse. E depois de ter facilidade, gente, posso dizer que ninguém quer voltar para a etapa difícil.

Há etapas no flerte, etapas devidamente puladas quando se usa os apps.

1°- Você se interessa.

2°- Você faz a pessoa se interessar por você (puxando assunto, mostrando que tem interesse, procurando assunto em comum, lançando olhares, linguagem corporal)

3°- A pessoa se interessando, ela te procura (agora ela que puxa assunto, responde os olhares, te curti toda vida em todas as redes sociais)

4°- Vocês marcam para sair. E pimba! (ou não)

Como falei, causa preguiça só de pensar na etapa 1.


Não usar o Tinder é perceber as pessoas a sua volta. Algo que percebi com amigos é que o Tinder facilita a aproximação de quem está próximo, até demais. Aquele caso de encontrar alguém interessante e solteiro na mesma condição que você, amigo seu, que talvez se não estivesse lá nunca se saberia. Na vida real, para saber se o outro está solteiro precisa rebolar: perguntar a amigos, sacar os detalhes, esperar que a pessoa cite a dita cuja, entrar no face e procurar fotos suspeitas. E ao saber, assim mesmo não é garantia. Não a mesma do Match. Mas é bom ver que tem gente a sua volta que é interessante, e porque não conversar mais um pouco?


Mesmo de verdade não ser meu objetivo arrumar um namorado (meu objetivo maior é ter dinheiro), está bem divertido esta visão contra a corrente dos aplicativos amorosos. Qual é a sua?