Quero me casar.

O que sinto mais falta de um namoro é não fazer nada. Engraçado como este tema tem sido frequente nos meus textos atuais desta rede social, mas digo a vocês que é algo que sempre circula na minha vida. Por isso dedico este perfil a só falar de relacionamentos. Porque eu gosto de falar deles.

Só tive um namoro realmente longo, um que durou mais de um ano. Depois daquele momento de sexo todo dia, de noite e de dia, o que mais gostava de fazer era ir à casa dele, ficar deitada, falando sobre a vida (não necessariamente a nossa) , comendo as besteiras que comprávamos nas Lojas Americanas da esquina da sua casa, selecionando algum filme no Netflix (“Você nunca viu Mean Girls??? Como assim, você vai ver agora este filme comigo”) e com muita preguiça de sair de casa, após um sexo demorado e cheio de amor.

Imagino que a vida de casada deve ser assim. Quer dizer, eu assumo, me casaria sim. Não com cerimônia longa, com vestido de noiva muito caro e branco (porque eu não sou virgem há muito tempo), um Buffet com comida estranha e bolo de massa americana, para 170 convidados deixando algum de fora, chamando primos que você nem liga só para ser educada, mudando o sobrenome no cartório, fazendo lua de mel na região dos lagos do RJ porque é mais barato (no máximo ir à Argentina), fazendo dança de casal com a música romântica dos 2 (por favor, nada de Adele), não aproveitando nada da festa porque precisa dizer oi a todo mundo e a única coisa que você quer é sentar…

Nada disso. Eu quero me juntar. Achar alguém que depois de algum tempo (não calculo anos, meses mesmo) me diz “quer vir morar aqui?”. Ou eu dizer a pessoa “vamos morar juntos?”. Achar um lugar legal e barato perto de um supermercado e correios, conviver com quem o tempo escolheu. Ouvir suas músicas favoritas em repetidas vezes, saber que ele não gosta de leite Elege, prefere o Ninho mesmo sendo mais caro. Que a sua fruta favorita é uva e toda vez que passar numa feira, comprar um cacho porque “certeza que ele vai gostar”. Chegar num dia cansada e encontra-lo sentado no sofá, chegar junto a ele e quando perguntar como foi meu dia, responder com a sinceridade que esta pergunta manda.

Transar no horário que dá, noite manhã madrugada a tarde. Almoçar às vezes uma comida direita (eu sei fazer um ótimo arroz) e às vezes pedir pizza porque os 2 estão com preguiça de fazer algo. Brigar por coisas bobas (porque como já falei, não sou uma pessoa fácil e nem namorável), mas se resolver com um beijo e quem sabe sexo. Alias, transar com todos os cantos da casa é algo que tem que ser feito. Levarei meu gato comigo e meu bichano estará acostumado depois de um tempo com a convivência do seu novo dono, que comprara ração assim que lembrar que ele esta ficando sem. Chamar amigos para conversar, amigos nos chamando para sair, sem a opressão de ir junto (só vai se quiser). E sempre que alguém perguntar aonde estas, ele esta trabalhando e por isso não pode estar aqui hoje.

Ter uma convivência, ter uma rotina. Eu tenho inveja destes casais que já estão nesta, a tranquilidade deles me atrai. É algo que quero ter também na minha vida. É dizer “estou casada” e na verdade nem pensamos numa cerimônia. Só nos juntamos, peguei minhas tintas e pinceis e juntei com seu laptop e seu violão. Este amor eu quero sim. Não sei se sou capaz de te-lo, mas eu quero para mim.

Claro que para ter isso primeiro preciso ter alguém que seja além dos casuais sexos que tenho às vezes. Por enquanto só estou casada com meu gato. Eu sei exatamente quando ele precisa de água limpa e sinto a falta de dormir comigo, porque ele resolveu dormir em outro lugar mais quente esta noite. “Você está na idade de casar, ora, ande logo”. Estou na idade de arrumar um salário descente. O resto é só desejo mesmo.

Inspirado neste texto

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