Sobre ser “a pessoa negativa”

“Nunca se desculpe por dizer o que sente. É como dizer desculpas por ser real” Imagem deste link

Meu último namoro terminou sem eu esperar. Foi numa segunda à noite na terceira semana de janeiro. Depois de um momento agradável, fui surpreendida com o aviso. Dentre os motivos, a constatação de algo que sou advertida sobre a minha personalidade faz um tempo: O fato de eu ser negativa.

Ouço isso de tempo em tempos, de pessoas diferentes. É como me dizer que sou baixa sabendo que já sou toda vez que passo por alguém de 1,70m e bato no ombro dela. É uma comprovação, eu sei que sou assim e como já falei aqui isso faz parte da minha aceitação de saber quem sou (e não me senti culpada por isso). Então confesso que não me incomodo em ser “negativa”.

Negatividade tem a ver com aquela nuvenzinha pesada e carregada de chuva que rodeia a cabeça de algumas pessoas. É falar com alguém e você se sentir mal só por falar oi. É uma energia pesada, é algo que não te faz bem. Mas principalmente, negatividade é associada a pessoas que só falam não ou mau humor. Foi algo que percebi deste de que pensei porque sou sempre associada a não ser uma pessoa positiva e otimista.

De fato, eu enxergo a realidade. Se não der para fazer, não dá, pronto, parto para outra. Você percebe quando não vai rolar, é um sexto sentido que apita e que mesmo que ignore, no fundo sabe-se, é real. Quando eu tenho depressão ou algo referente a isso, digo que não estou bem por causa disso. Eu costumo reclamar de coisas que me incomodam. Eu sei exatamente o meu privilégio e o meu não privilégio e costumo pontuar a quem não entende. Mas isso é ruim? Então, é. (quase) Ninguém de fato quer saber dos seus problemas.

Problemas são energias negativas e quer saber, todo mundo já tem o que se preocupar e não quer ter mais não. Minha lição é saber que não posso falar para todo mundo o que me aflige. Tenho uma parcela bem pouca de amigas na qual eu digo o porquê não estou bem. Uma menor ainda que conto na hora da minha angústia. Mas no geral, a pergunta “tudo bem?” vem com a resposta, às vezes mentirosa, de “sim”. Vocês já ouviram aquela máxima que só os chatos respondem o tudo bem com uma resposta sincera? Então…

Você dizer que a pessoa é negativa é ignorar que ela tem problemas e um passado. Se afastar dela por isso é não querer se envolver mesmo com ela. Mas isso é um problema? Quer dizer, você precisa conviver com isso e abraçar as dificuldades que a pessoa está passando no momento? Não. Mas compreender faz parte da empatia.

Nem todo mundo precisa ser alta astral, mas é o que o mundo pede. Mas há uma diferença para uma pessoa má e para alguém que só precisa de um abraço e olha, não é pequena. Mas o mundo não está preparado para isso, né? Ou melhor, será que realmente isso importa?

Eu parei simplesmente de me importa quando ouço isso de alguém. Eu sei o que passei, sei o porquê digo que não quando é para ser dito. Mas para convívio entre a sociedade, eu digo que estou bem, sorrio, mando emoji. Acho que é assim ser adulta, né? Fazer o melhor que é capaz só pra viver em paz.