Quem tem medo das Eleições 2018?

Rebeca de Melo
Sep 4, 2018 · 2 min read

Domingo, dia 7 de outubro, boa parte de nós estará votando. A caminhada até esse dia não têm sido fácil, e em muitos deles eu mesma perdi as esperanças. Não só pelo período eleitoral conturbado, mas por perceber o quanto estamos a Deus dará e o quanto aos poucos vamos morrendo. Morremos um pouco quando lemos notícias de mulheres sendo mortas por seus companheiros, quando lemos que o Brasil é o quarto país que mais mata pessoas LGBTQ+, que o racismo nunca deixou de existir. E que todas essas coisas estão mais vivas do que nunca, circulam entre nós, são nossos amigos de infância, aquele vizinho que sempre tivemos carinho, aquele seu colega de trabalho. Tem um pouco de ódio em todo canto. Dessa bolha em que vivo e tento manter por perto apenas pessoas que espalham o amor em todas as suas formas, eu ainda tento acreditar que há esperanças pra gente. Mas lá fora, parece que não.

Na faculdade de jornalismo nós aprendemos a Teoria da Espiral do Silêncio, ela diz que as pessoas omitem sua opinião quando conflitam com uma opinião dominante, ela têm medo do isolamento e da crítica. Eu não posso deixar de enxergar que por muito tempo vivemos nessa espiral e agora as pessoas estão despidas e seu ódio está totalmente a mostra, ali desnudo seja nas rodas de bar, no almoço de família, nas discussões do trabalho, nas redes sociais. E as pessoas sempre foram assim, elas apenas se escondiam. E isso torna tudo ainda mais triste. Não estamos escolhendo candidatos que de fato nos representam, apenas buscando formas de fugirmos de um problema maior. E de fato muitas vezes eu pensei em anular meu voto. Mas o medo de ter um país liderado pelo discurso de ódio me faz recuar.

A minha opinião sobre o rumo final dessa eleição é tão triste que eu mesma aceitaria perder apostas. Mas acredito que independente desse resultado as coisas já estão do avesso. Já vimos que tudo está muito além de problemas econômicos, sociais, culturais, de educação, segurança e saúde. Vai além da taxa de desemprego. São problemas que não deixam de estar atrelados ao ódio, acredito eu. Daqui da minha bolha eu não me sinto segura, temo por mim, pelos meus amigos e pela família. Mas daqui também tento ver um chama de esperança em meio ao fogo que nos consome, tentando acreditar que nem a história guardada no Museu Nacional será totalmente apagada e nem nossa luta será totalmente em vão.

Em tempos tão sombrios, por mais difícil que seja, eu preciso acreditar que existe esperança, ou então nada disso valerá a pena.

    Rebeca de Melo

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    Jornalista e feminista.