Eu, impessoal e intransferível

Para o que sou, depende de onde e come se vê. Dizem que somos feitos de energia, mas algumas pessoas são feitas de barro. Eu, sou explosão e cosmos. Expanda-se e sou um grão de areia suspenso num raio de sol. Foque-se e sou interpretações e padrões energéticos.

O que faz de mim ser, se é que sou, é tudo aquilo que me permito não ser.

Contaram-me que há algo, como perfume de flor, único, imutável e intransferível, que sustenta tudo o que somos. Nomearam “Essência”. No entanto há um problema conceitual nisso se sou apenas o que me mostro ser e passo a ser o que achava que seria. Viro o que aprendo, como me apresento e o que invento.

Então é isso, mudo constantemente e faz parte de mim tudo aquilo que fui e tudo aquilo que não sou, se é que um dia fui. Se mutável, como posso ter essência? Minha fragrância muda. E sou perfumada de uma mistura e uns me sentem doces enquanto outros me descrevem cítrica, sou flor ou fruta se tudo o que mostro é abstrato e misto? Logo, sou o que me percebem, mesmo que não me mostre ser?

A ciência descreve personalidade como um padrão de energia. Tendo isso em vista, se mudo, esse padrão muda também? Ou muda porque como me expresso não corresponde a esse padrão? A gente vai se adaptando até nos tornarmos o que fomos feitos para ser?

Não sei mais se me questiono por causa da ciência ou se questiono a ciência pela forma como ajo.

Ou possa ser que eu seja apenas o que tomo consciência de ser. Possa ser que eu seja realmente essência e a expressão do meu ser muda por ser equivocada, então vai mudando e se ajustando enquanto tomo consciência de mim.

O que sou? Bem, vou sendo o que quer que eu seja, estrela, barro, doce, cítrica. Sendo esse choque constante matéria e anti-matéria, entre ser e não ser, entre o que apresento e como me percebem, entre macro e micro. Entre percepções.

Apenas vou me deixando ser, sem me deixar presa ao fato de não entender como, porquê, nem quando. Mas dentro de minhas certezas momentâneas, sou poeira estrelar, puramente energia. Acho que aí é um bom ponto de partida para começar a pensar sobre mim mesma, uma boa âncora para eu poder voltar e recomeçar uma nova reflexão, caso eu me perca em meus pensamentos.

Essa é minha conclusão, sou energia e ela, como sabem, nunca se perde e sempre se transforma.

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