Sobre tomada de decisões, funcionamento da mente e felicidade no trabalho

Insights sobre palestras interessantes no TED Talsk: Life Hacks


Ontem a noite eu assisti alguns vídeos do TED talks no Netflix que me trouxeram insights interessantes os quais eu gostaria de compartilhar.


Como facilitar a tomada de decisão

Um dos vídeos, por Sheena Iyengar, era uma palestra sobre como as pessoas são afetadas pela quantidade de opções que elas encontram quando vão adquirir alguma coisa.

Foi feita uma pesquisa em uma mercearia que possuía centenas de tipos de cada produto. Só para dar um exemplo, a loja possui um corredor com mais de 300 tipos de geléia e outro com mais de 100 tipos de azeite.

Foi feita uma pergunta ao dono sobre o fato da quantidade de opções ser um problema ao consumidor e o mesmo respondeu: "Olhe a quantos ônibus de turismo aí fora!", referindo-se a quantidade de pessoas que vinham visitar a sua loja. Mas será que eles realmente compravam?

Então os pesquisadores montaram um estande de degustação de geléia. Na primeira vez com seis opções de geléia e na segunda com 24. Eles perceberam que 60% paravam para degustar quando havia mais opções e apenas 40% pararam para a bancada com seis tipos. Entretanto…

Apenas 3% efetivaram a compra quando degustavam entre as 24 opções e 30% compraram no caso das seis opções.

Eles mostram, através deste experimento, que quando existem muitas opções as pessoas tendem a adiar a decisão de compra.

Mas existem formas de fazer com que o cliente possa vir a escolher entre diversas opções com mais facilidade. Por exemplo, a palestrante falou sobre uma montadora alemã que deixava o cliente customizar tudo no carro que estava comprando pelo site. Nesse caso ele podia escolher entre 53 diferentes cores, uma dúzia de opções internas e ainda quatro tipos de motores.

Fizeram mais um experimento, onde compararam dois modelos de customização que organizavam de forma diferente as opções de escolha. Na primeira, o cliente começava escolhendo pelas cores, passava pelas opções internas e depois escolhia entre os quatro motores. E na segunda começava pelos motores e só ao final escolhia entre todas as opções de cores.

Perceberam que começar pelas escolhas com menos opções fez com que mais clientes chegassem até o final do processo de customização. Sendo que quando começavam pela quantidade enorme de cores eles desistiam mais rápido.

O objetivo geral de tudo isso foi trazer os alguns insights, abaixo listo dois deles:

  1. Corte opções menos desejadas. O que é uma ótima ideia em momentos de crise, diga-se de passagem.
  2. "Treine" o consumidor para escolher, começando com escolhas mais simples.

Assista no site TED.com


A mente afeta o corpo… e vice-versa

Amy Cuddy, uma psicóloga social e professora de MBA trouxe uma palestra muito interessante sobre linguagem não-verbal.

Sabe-se que a linguagem corporal é afetada pela nossa mente. Se você está se sentindo poderoso, seu corpo vai se portar mostrando esse sentimento, abrindo os braços, inflando o peito e endireitando os ombros, por exemplo. Se você está se sentindo submisso, ele vai se comportar de outro jeito, de braços cruzados, ombros caídos, etc.

Agora a pesquisa que a palestrante trouxe mostra que a recíproca é verdadeira. Se posicionarmos nosso corpo em posição de poder, nossa mente vai reagir a isso.

Eles basicamente mediram os hormônios testosterona e cortisol, sendo que o primeiro é relacionado a sensação de poder e o segundo à reação a momentos de stress. Quando nos sentimos poderosos os níveis de testosterona se elevam e os de cortisol caem.

Pediram para que algumas pessoas assumissem posições tanto de poder como de submissão (sem que as mesmas tivessem conhecimento do que significavam cada uma) por dois minutos e mediram seus hormônios antes e depois das poses.

O resultado foi que os níveis de testosterona e cortisol refletiram exatamente o que as poses estavam demonstrando. E isso quer dizer simplesmente que você pode "fingir até se tornar" (fake it until you make it, ou a versão que a Amy Cuddy prefere: fake it until you became it), ou seja, você pode assumir uma posição de poder com o seu corpo e então, depois de um tempo, vai se sentir mais confiante e mais poderoso.

Essa é uma dica que a palestrante deu para quem for fazer uma entrevista de emprego:

Vá ao banheiro minutos antes da entrevista e faça a pose clássica da mulher-maravilha por dois minutos.

Pode não parecer, mas foi provado cientificamente que isso vai lhe trazer uma sensação de confiança e empoderamento.

Assista no site TED.com


Trabalhar para ser feliz?

Essa palestra do psicólogo Shawn Achor foi muito boa. Ele fala sobre uma visão padrão da sociedade sobre o sucesso: Devemos trabalhar duro para sermos felizes.

Segundo ele, essa visão deve ser mudada. Está mais do que provado que um colaborador feliz tem uma produtividade muito maior do que um que esteja sobre pressão, estresse e se sentindo infeliz. Então a ideia é simples…

Devemos ser felizes para trabalhar melhor.

Ele se formou em Harvard e passou os próximos oito anos sendo psicólogo dos alunos daquela universidade e percebeu que, em vez de se sentirem privilegiados por conseguirem entrar numa universidade tão difícil, nas primeiras semanas os alunos já estavam estressados e preocupados com as notas e os trabalhos acadêmicos.

Se você entra em Harvard, agora tem que ter boas notas. Se consegue concluir o curso, agora precisa de um emprego melhor. Se você atinge a meta de vendas, a meta será alterada. E assim por diante, num ciclo sem fim.

Se definirmos o sucesso, e consequentemente, a felicidade em cima de objetivos que devemos atingir, nunca chegaremos lá.

Sempre estaremos esperando o momento de felicidade, mas este momento jamais chegará.

Essa palestra merece ser vista.

Assista no site TED.com


Essas foram as palestras que me chamaram mais a atenção. Mas vale a pena dar uma olhada nas diversas palestras do site TED.com, e se você for assinante Netflix, procure por Life Hacks que você encontrará essas e outras palestras bem interessantes.