sonhos são retratos da realidade


Eu tive um sonho.

Nele eu não participava. Sei disso porque quando olhei pra baixo, não vi minhas mãos, nem meus pés, nem nada que fosse eu. Só observava as estrelas, invisível. Eu fazia parte do universo.

Do meu lado estava Saturno: gigantesco, ambicioso, autoritário. O ar parecia mais pesado ao seu redor, e seus satélites de gelo quase passavam tranquilidade. Enquanto eu admirava seus anéis, ele parecia os ignorar, como se não ligasse para o fato de que eles o limitavam.

E lá longe estava o que penso que fosse Plutão. Eu sempre pensei em como ficaria chateada se um dia me dissessem que eu não podia ser um planeta. Mas, olhando pra Plutão, ali na dele, em meio àquele bilhão de estrelas, eu me dei conta que ele não dava a mínima pra como o chamavam. No meu sonho, ele ria pra as estrelas como um bebê.

A verdade é que, bem, sonhos são nada menos que retratos da realidade. Assim como Saturno nós temos limites, mas somos nós que decidimos como lidar com eles. Assim como Plutão nós somos deveríamos rir mais. Como é mesmo que John Green escreveu? A culpa dos acontecimentos da vida não é nossa, e sim das estrelas. O que, de acordo com Plutão, não é necessariamente ruim. Nós deveríamos rir mais para o que o universo nos faz.

Então entendi: tudo é mesmo parte de um todo. Eu já fazia parte do universo muito antes daquele sonho.


Le raconteur é um projeto inspirado na Loja de Histórias, de Pedro Fonseca. Acredito que toda fotografia tem uma história, então procuro fotografias e imagino a história que há por trás delas.

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-becky.

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