Eu disse que não escreveria mais para você, mas quando eu estou sozinha a necessidade de fazer isso é esmagadora.

São cinco e meia da manhã, e depois de mais uma saída com as mesmas pessoas de todo dia na rua sinto sua ausência de forma absurda. Tô deitada no sofá tentando arrumar um jeito de colocar pra fora aquilo que eu estou pensando, mas sem muito sucesso, considerando que sinto exatamente a mesma coisa há alguns anos.

Minha tese é que me prendo tanto a você porque você está inalcançável. Depois de ter acabado, e depois de tudo o que aconteceu, eu passei a ser indiferente pra você, enquanto o contrário nunca aconteceu. São em horas solitárias como essas que me pego odiando o universo, destino, acaso ou qualquer que seja a força que me deixa nessa posição, sozinha, longe da coisa que mais me fez feliz. Não é minha culpa, e também não é sua, acho que era pra isso acontecer, o que não ameniza nem um pouco a dor. Enfim, só te queria de volta segurando minha mão pra enfrentar o mundo. Amar é difícil nas primeiras horas da manhã.