Saudade não te decepciona

Como esquecer de alguém que no fundo você estudou, e percebeu na íntegra? 
Não enxergo necessidade em esquecer alguém. Foram dias ali, entendendo, ajustando e dando de si para o outro. No gerúndio mesmo, porque a sensação é que é um processo sem fim, e mesmo depois que acaba fica um dessabor de projeto cortado. Isso deve ser porque as pessoas são universos particulares
em constante e necessária mudança,. Entender o outro é atividade paulatina.

Injusto e desagradável esquecer alguém que levou tanto do que é nosso e deixou tanto de si conosco. Seria como abrir mão das memórias, dos aprendizados, é como admitir uma perda de tempo. Se a gente esquece fica lacuna, tempo vazio, tempo perdido, e se pararmos para pensar que tempo é única coisa que realmente temos -afinal, bens materiais se perdem com muita facilidade-, nós perdemos vida. (Vida devolva minhas fantasias! Ok!, parei, esse é um texto sério).

Não tem porque esquecer alguém! Existem inúmeros porquês para não voltar, para não correr atrás, para ficar chateado, para chorar, para comer todo o chocolate do universo, para beber o mundo e dividir mil sábados com o Netflix (no meu caso desenhos, apenas desenhos). Mas esquecer é admitir falha, é admitir fracasso, é assumir para o mundo que você é incapaz de aprender coisas novas, e exibir o quanto não se quer mudar e melhorar, é como chegar e mandar “Beleza, me amem assim, não quero evoluir jamais. Valeu, valeu!”

No meu caso, fiquei me enganando, disse para mim que tinha esquecido, que nada daquilo fazia sentido. Ah, claro! Disse para ele também, disse para todos. Veja bem, porque diabos teria cabimento continuar na panela de pressão, naquela gangorra de emocional com um cara cricri. Realmente vesti a carapuça do descaso, eu estava brava, e cansada das memórias e da saudade, do que não tinha jeito algum, cansada de esperar respostas para perguntas que não deviam ser feitas. Achei a melhor solução deixar pra lá e seguir adiante, aceitei que seria uma brilhante ideia e apenas fiz isso. Resultado: Magoei a mim e a ele.

No final notei que ainda existiam motivos para eu lembrar sempre, lembrar sempre é muito diferente de nunca esquecer. Os motivos começavam nos detalhes, nas lembranças do sorriso dele, e no formato dos olhos, olhos pequenos e mal humorados, mas que combinam e simpatizam com os meus que são pequenos e muito risonhos. Talvez um complemente ao outro, como num quebra-cabeças. Os motivos se estendiam até o cabelo dele que é ‘espanado’ na nuca (Sabe?! meio bagunçado..) e com o tanto de momentos lindos que passamos juntos, e com o tanto de bad que me fizeram uma pessoa melhor para mim e para os outros, e não apenas para ele.
Percebi que podia estar longe, e fugir da parte ruim, do carrossel de emoções,e mesmo assim que eu podia gostar sem me achar criminosa. 
Mantive distância do meu crush, pois sabia (sei, né gente! Tá na cara que o crush ainda é crush) que a saudade que sinto é confortada com a ausência dele, pois por perto ele só partia meu coração, já de longe tenho boas recordações, e essas ninguém tira de mim.

Cair fora foi o mínimo que fiz para poder amar e estancar o sofrimento, porquê é um sofrimento uma relação caótica, onde você não sabe se amanhã vai ter “oi” no whats ou se será um dia de completo silêncio e medo de perder o que jamais foi ou será seu -acredito que o ser pertence só a si mesmo, por isso não existe mais de um nessa propriedade-..

Entendi que sentir saudade é melhor do que morrer de amor e continuar vivendo, Mário Quintana disse algo próximo a isso, mas em completo desalinho com a mensagem da minha frase.
Aprendi com isso tudo que as memórias me edificam, e que saudade não decepciona.