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Dicas para você que está procurando trabalho

Tudo bom?

Quando estava pensando sobre os próximos posts que faria por aqui, um amigo recomendou que eu falasse sobre os problemas que tenho quando participo de processos seletivos no papel de recrutador. Como estou participando esses dias, acredito que esteja na hora de compartilhar meus pensamentos a esse respeito com todo mundo.

Como organizo o processo

Nas vagas que participei, sempre usei uma abordagem parecida e que me parece que funciona. Fazemos a divulgação da vaga no facebook, LinkedIn, faculdades etc. Os candidatos se cadastram na vaga e/ou enviam seus currículos. Depois enviamos um questionário bem simples para os candidatos que parecem mais promissores. O próximo passo é um teste prático e, por fim, entrevistas menos focadas nos conhecimentos técnicos, com um foco maior no candidato em si.

Vamos ver como trabalho em cada uma das etapas. Vou usar como exemplo uma vaga de Programador PHP, que é a mais frequênte.

Envio de currículo

Seja objetivo

A primeira dica que dou para quem está enviando currículos por aí é adequar as informações presentes nele à vaga para qual ele está sendo enviado. Por exemplo, se a vaga é para programador PHP não adianta muito você listar os 10 cursos que você tenha feito, incluindo Pacote Office Básico, Corel Draw Básico, Corte e Costura, Secretariado… Entende? O recrutador irá ler o currículo de dezenas de candidatos, então quanto mais objetivo seu currículo for, melhor. Deixe aí o que for realmente relevante para a vaga ou algo que seja um grande destaque, que possa, de alguma forma, trazer mais conhecimento para a empresa. Isso vale para sua experiência profissional também. Não adianta colocar os 3 meses que você passou como caixa no super mercado. Coloque no currículo as experiências ligadas àquela vaga ou o que realmente dê um “toque a mais” no seu currículo. Se você possui muita experiência, passou por muitas empresas e muito cargos dentro delas, tente deixar apenas as mais relevantes e que duraram mais tempo.

Além disso, geralmente o currículo tem uma área onde você descreve seu objetivo profissional. Evite frases clichês ou muita firula. Seja claro e objetivo, deixe claro o que você quer fazer com poucas palavras.

Como enviar

Para as vagas que abrimos na Cohros, a empresa na qual trabalho, utilizamos um sistema próprio para receber os currículos. Na divulgação de todas as vagas tentamos deixar claro que as incrições são por ali, porém vez ou outra recebo um currículo por e-mail. Gosto da ideia do sistema porque além garantir que as informações que precisamos chegarão até nós, temos mais facilidade em organizar e buscar estes currículos posteriormente e todos eles têm a mesma estrutura, então mesmo que o candidato goste de disparar currículos por aí com Comic Sans, não iremos saber e isso não irá tirar um ponto dele ;)

Bom, este é um item que me parece não ser exatamente um consenso, mas para mim é bastante claro. Quando a vaga exigir o envio de currículo via e-mail como um anexo, envie um PDF. PDF é um tipo de arquivo extremamente prático e ouso dizer, retirando essa informação da minha fértil imaginação, que 99% dos computadores têm um leitor de PDF instalado. Linux e OS X já possuem leitores integrados. Os computadores com Windows tradicionalmente vem com vários softwares que a fabricante instala, entre eles o Adobe Reader. O arquivo PDF será aberto em qualquer computador com o mínimo possível de “deformações”, enquanto que um currículo em .doc pode ficar bem esquisito caso a empresa use o Libre Office (e existem empresas por aí que usam sim).

Além disso, o PDF “não é editável”, então você tem “certeza” que aquelas informações estarão para sempre como você as enviou. Enviando um tipo de arquivo aberto, como o do Word, o recrutador pode acabar salvando uma modificação sem querer e aquele currículo alterado circular pela empresa toda sem que você tenha nada a ver com aquilo.

Um argumento que achei por aí a favor do .doc é que no Windows, o Adobe Reader é um pouco pesado e demora mais para o usuário conseguir abrir/imprimir, mas ainda fico com o PDF.

Informações de contato

Acho que não é nem preciso dizer para você garantir que os telefones e e-mails presentes no currículo estejam atualizados, não é?!

Agora cá entre nós, o que devo pensar de um candidato cujo e-mail é gatinhosarado@bol.com.br?

Se você tem um endereço de e-mail com um apelido muito despojado ou qualquer coisa que deixe de transmitir uma imagem de responsabilidade, confiabilidade, profissionalismo ou coisa parecida, crie um novo, mesmo que seja apenas para enviar currículos. Também tenha cuidado ao escolher um provedor. Há certo preconceito entre o mundo do desenvolvimento com e-mails @hotmail. Refleti e não acho bom comentar o porquê desse preconceito aqui para não desviar a conversa, mas fique a vontade para perguntar em particular ;)

Questionário

O questionário que costumo enviar cobre o básico do que acreditamos que o profissional deve ter de conhecimento técnico. Uma pergunta que faço para todos que vão trabalhar com web e sejam profissionais com alguma experiência é “Descreva o papel da HTML, CSS e JavaScript no desenvolvimento web (separadamente)”. O que espero obter como resposta é o objetivo de cada uma destas linguagens, como elas são utilizadas no mundo real. Isso é o básico e se o candidato não puder responder isso, talvez ele esteja precisanso estudar um pouco mais a respeito. Como é um formulário que enviamos por e-mail, sabemos que o candidato pode pesquisar as respostas na Internet e copiar/colar no formulário. Porém temos vários candidatos que não se dão ao trabalho de fazer isso e escrevem bobagem. Eu prefiro que o candidato ao menos se dê ao trabalho de pesquisar o que ele não sabe do que simplesmente dizer qualquer coisa ou responder “não sei”. Nem sempre procuramos o profissional mais qualificado do mundo, mas gostamos de identificar àqueles que ao menos mostram que estão dispostos a correr atrás dos conhecimentos que lhes faltam. Isso é super importante na vida de um profissional de qualquer área. Manter-se atualizado e não ter preguiça de buscar mais informações é fundamental.

Teste prático

No currículo é tudo muito bonito e brilhante, na conversa todo mundo sabe trabalhar com todas as linguagens, frameworks, libraries etc. Mas e no mundo real? Será que o profissional consegue mesmo entregar um bom código? Para responder a esta pergunta, usamos o teste prático.

Usando novamente a vaga de programador PHP como exemplo, o teste que costumo montar é um software simples de agenda telefonica. Cadastro de contatos com mais de um número de telefone, exibição, alteração e remoção (CRUD).

Neste teste consigo ver como o candidato estrutura seu código, se ele se preocupa com a filtragem de dados, se ele é espertão e usa a @ para suprimir erros e tal. Como o espaço de tempo é limitado, o importante para mim, nesse momento, não é nem que o candidato conclua o software, mas que me mostre que ele é capaz de escrever algo que funciona, que sabe usar funções adequadas, sabe como o html e o http funcionam etc.

Já tive candidato que não conseguiu fazer absolutamente nada nesse teste, mesmo me dizendo que era um ótimo programador PHP e que já havia feito vários sites e sistemas. Também já peguei candidato que tentou usar o seu próprio framework, mas perdeu 70% do tempo só para tentar fazê-lo funcionar e o CRUD que eu pedi ficou em segundo plano.

O candidato tem que ter um pouco de foco. Entender o problema que foi passado e trabalhar em cima dele. Como o tempo é pouco, é claro que eu não espero ocódigo mais performático, seguro e bonito do mundo, então não precisa de muita firula, mas também não pode deixar de filtrar os dados.

No final do teste eu bato um papo com os candidatos sobre o código que foi feito. Eles me explicam como desenharam a aplicação, porque fizeram dessa maneira, porque os dados são armazenados como são etc. Se aparece um problema muito grave no código eu pergunto a respeito para determinar se eles sabem que aquilo está errado e não quiseram perder tempo corrigindo naquele momento ou se nem se deram conta. Se o candidato sabe que há um problema, então tudo bem. Se ele não sabe, rapidamente ilustro o problema e ao menos ele sai do teste com um conhecimento novo.

Além de falar sobre o código produzido, conversamos sobre como foi a experiência como desenvolvedor até então, onde já trabalhou, o que fez, o que quer fazer, como se mantem atualizado etc. Tento descobrir se ele é um cara que gosta do que faz e procura melhorar ou se faz o básico e pra ele tudo bem. Geralmente buscamos o primeiro caso.

Entrevista

A parte da entrevista fica a cargo da galera do RH, então não tenho muito o que dizer nesse ponto específico (vale uma pesquisa no google), mas o que vem a seguir vale para as entrevistas também.

Geral

Não só em entrevistas, mas na maior parte dos contatos profissionais que você tenha com outras pessoas, é melhor ficar de olho em como coloca as coisas. Sem excesso de gírias, seja cortês e educado, lembre-se do nome das pessoas (e em hipótese alguma escreva meu nome com Z quando for me enviar um e-mail ;))… Seja honesto, tranquilo coloque na sua cabeça que você não sabe tudo. Alguns candidatos chegam bastante arrogantes a respeito do seu conhecimento, mas só estão falando bobagem. Olha só, não saber das coisas tudo bem. Não saber, achar que sabe e se recusar a aprender é outra bem diferente e, nesse caso, o candidato está fora.

Também não custa lembrar que se inscrever em qualquer vaga também poder ser ruim para você. Se você não tem perfil para a vaga, não se inscreva.

Outro ponto que tem se tornado cada vez mais relevante são as redes sociais. Hoje os recrutadores buscam os candidatos no Facebook, LikedIn, Twitter etc. Eu sei que eu busco ;) Se você resolve postar que está matando trabalho porque bebeu demais na noite passada, tenha em mente que o recrutador pode ser um amigo ou um amigo de um amigo e ver aquele post lá.

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