London Live, a Nova F1 e a Ausência de Hamilton.

Este texto deveria ter sido escrito no final do ano passado quando soube que a Liberty Media era a nova dona da F1, porém, como tudo era uma incógnita, resolvi guardar as palavras na caixola e aguardar o que estava por vir.

Para quem ainda não sabe, a Liberty é conhecida por organizar grandes eventos, aliando esporte e entretenimento, um como a extensão do outro, de modo que quem assiste também participe, tornando a experiência muito mais proveitosa. Ao assumir o controle da F1, tinha em mãos um desafio enorme: reconquistar os fãs da maior categoria de automobilismo do mundo. Pois bem, eis que hoje aconteceu o #F1LondonLive que, para mim, foi o ápice dessa reaproximação de quem tem como paixão o automobilismo.

O evento consistiu em montar um traçado nas ruas de Londres, combinando shows, entrevistas e interação piloto-fã. Quem lá estava — ou quem acompanhou ao vivo pelas redes sociais, assistiu os passeios dos carros de diferentes gerações, desde a Renault turbo e lendária McLaren dos áureos tempos do Senna ao atual modelo V6; presenciou pilotos distribuindo brindes e simpatia ao se deixarem fotografar junto aos fãs e; ainda, viu figuras lendárias do esporte, como Jackie Stewart.

Em mais de vinte anos acompanhando a categoria, jamais havia visto algo do tipo. Se alguém me dissesse nos anos 90s/2000s que isso poderia acontecer, eu iria rir e achar que estavam a brincar comigo. Ter contato com pilotos naquela época só seria possível caso você trabalhasse no ramo ou fosse algum famoso. Fora isso, as chances eram praticamente nulas, sendo a invasão da pista o mais perto que um fã poderia chegar.

Ao todo, dezenove pilotos da categoria participaram desta festa com o sorriso no rosto e aparentemente satisfeitos por ali estarem. Me pareceu até que eles desejavam este maior contato com quem consome o esporte que praticam, pois pareciam à vontade em interagir com o público. E ah, não, não errei nas contas, foram dezenove e não vinte pilotos: Lewis Hamilton preferiu ir para Mykonos a participar do #F1LondonLive.

Muitos poderiam dizer que é apenas um evento e não é o fim do mundo o Lewis faltar ou, ainda, que deve ser cansativo para o piloto participar de algo do tipo. Uma coisa é ele poder, a outra é se ele deveria fazer.

Era nítido que sua ausência foi sentida pelos apresentadores e fãs, afinal, o piloto da casa, vice-líder do campeonato, falta ao evento que naturalmente deveria estar. Lewis foi vaiado pela torcida inglesa sempre que o microfone era direcionado a ela, que pareceu indignada — e com razão. Vocês imaginam um evento do tipo aqui no Brasil sem a presença do Felipe Massa? Acho que não.

Enquanto que a Liberty tenta fidelizar o novo público e não deixar que o antigo se afaste da categoria ao criar uma nova narrativa para esta temporada, Lewis com a sua ausência apenas sinalizou que não está dando à mínima. Para ele, é preferível ir para mais de uma das suas festas a prestigiar o fã que sai de casa para ver o espetáculo da nova F1.

E, se podemos tirar algum proveito de toda essa historia, diria que, agora sim, temos o enredo perfeito para a temporada: apesar de Vettel ter sido pintado como vilão e fora crucificado pela imprensa inglesa após o episódio do GP de Baku — com direito à pedidos de desculpas na coletiva de imprensa, podemos dizer, seguramente, que vilão mesmo é aquele que vira as costas para a sua torcida. Agora sim, habemus campeonato.

ps: a foto foi um screenshot da tela do meu celular no momento da transmissão. :)

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