eu tinha ritmo pressão posição pensamentos em condições ideais, mas veio a lembrança e então a expectativa de êxtase me foi negada. por mim mesma.
daí por diante as coisas foram se descolorindo aos poucos numa atmosfera de filme psicodélico, que nem o rock da boogarins, que nem o efeito daquela foto do domingo passado. só enxerguei o teto branco do quarto no escuro. percebi que estava sozinha e tudo foi se desmontando, se desfazendo numa angústia bem maior que eu, sem porquê, tão gigante que transcendia a necessidade de se explicar, a angústia, do tamanho do mundo, em forma de mundo e com peso de mundo que eu fazia questão de carregar — mas não nas costas, louvada seja essa porcentagem de amor próprio que me cabe: nas costas não, porque elas já doem a semana inteira. levava no ombro, bem próxima da orelha pra escutar sempre que ela opinasse e perto o bastante da minha consciência pra me fazer perder a vontade das coisas, das pessoas e de esperar. bem perto da boca pra eu poder ingerir e me matar. em pequenas doses e aos poucos.
continuava lá, deitada no escuro, sem conseguir aproveitar o que tava sentindo e induzido que era, o orgasmo se desfaria em poeira no chão do quarto em poucos minutos mas nem lembrei desse fato, lembrei é do que não deveria.
deitei de lado e me obriguei a aproveitar pelo menos a digna consequência do ato, a exaustão momentânea que me daria sono e me tiraria do total controle dos meus pensamentos. we should just fuck in the dark...once you let me hit it, imma get to switching, different positions. have that ass wishing that i was your nigga.
