sem título #9

como que eu cheguei aqui? onde eu tô? quem sou eu agora?
Uma cota de playlists, e uma pá de bobajada. Tomo decisões o tempo inteiro, cheia de uma convicção que evapora, que nem água em cubo de gelo eu sou sólida e firme, partículas iguais e juntinhas. Lotada por milímetro quadrado eu sou aquela garrafa que esqueceram no congelador, dias, semanas depois, por um fio de chamar a atenção e explodir de pressão, molhando o que quer que esteja ao redor, gelada numa temperatura que fere e nada me fere tanto quanto te ferir.
Tô escutando um trap tão bom agora.
Não quero ser gelo, não pra ti, mas algo me diz que ser gelo é o que eu preciso pra sair dessa poça. Uma poça. Eu também sou poça, líquida e salgada me desfaço de gota em gota, molho o piso, um moletom amigo, o meu próprio edredom. Saí pra tomar ar e mergulhar os pés ontem e durante o processo de fusão — o processo de fusão de uma beladona gelo — me misturei com a chuva e com os pés na piscina senti vontade de mergulhar, na piscina sepá mas certamente na primeira opção de evasão.
Só queria te ter perto nesse quarto fechado. Trancado. Pra quê resolver os problemas se eu puder esquecer de cada um deles dentro da tua boca? Eu, dentro da tua boca.
A beladona é uma flor pequenininha, cabe na palma da mão ou dentro de uma taça, muito pequena, mas não o bastante. Não o bastante pra desaparecer.
Não mergulhei na piscina naquela outra noite porque tenho rinite e morreria de tanto espirrar, poxa, é claro que as coisas estão ruins, mas morrer com o nariz trancado e a garganta doendo não é lá uma boa morte, não que eu esteja escolhendo muito.
Deus me livre de morrer.
Gelo. Poça. O meu gráfico termina por aí, fica constante como os batimentos cardíacos naquela tela dos hospitais, na capa de uma track do Journals, constante e plana, quem me dera estar plena. 
É complicado estar triste e excitada. Tenho ótimas playlists de trap, ótimas lembranças também.

boy you should know that your love is always on my mind and i cant deny it i want you, i am on you....the things i wanna do to you.. my body is calling you.

não conheço uma outra palavra que descreva o que eu sou agora a não ser sequela, uma montanha de sequelas, 16 anos 1m63cm e uma filosofia baseada em neurose e luz. neuroses eu crio luz eu desejo pro mundo. sabe do que eu tenho medo? provavelmente sabe porque tu me conhece demais, e é engraçado porque sinto que tu sabe. tá tudo uma bagunça e o que me sustenta é você, as tuas mensagens no caso, massagens pra minha consciência, a sensação que os florais não causam mais, o "vai ficar tudo bem" que eu mereço escutar mas quase nunca acredito. tenho medo da dependência de ti e de não te sentir perto um dia, só esse medo já me assusta e o fato de ter começado falando sobre água e sobre mim mesma estados físicos e o meu estado psicológico e nesse momento só conseguir pensar no quanto o teu abraço melhoraria tudo..me assusta muito.

eu falo muito e acho que deveria escutar mais. também acho muita coisa e acho que eu tento muito e consigo pouco em comparação ao esforço à expectativa que ponho em mim mesma. sepá seja tudo uma armadilha da minha própria cabeça.

que porra é essa?

como eu olho, o que eu faço, o que eu estou dizendo, gasto muito tempo me explicando e espero que haja algum tempo para mudar isso.

impaciente e ansiosa, tô assim sempre, tô assim agora e nem preciso te dizer o quê que me acalma né?

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.