Dia 1

Não sei bem o que aconteceu. Me lembro de vir para Guapi, atrás de paz e sossego. Ouvi dizer sobre uma cachoeira perto de onde eu estava e resolvi ir encontrar ela. A trilha era larga, bem tranquila, mas no meio da mata. Caminhei mais de uma hora quando finalmente comecei a escutá-la.

Mas antes de ir até ela, eu reparei em algo curioso do outro lado e fui investigar. Duas árvores que se entrelaçaram e subiam maravilhosamente juntas. As bases estavam afastadas mais ou menos 1,5 m uma da outra, mas do meio para cima elas se abraçaram e subiram em uma espiral procurando o céu. Magnífico. Formou uma espécie de portão entre elas, pois os troncos se juntaram à uma altura de mais ou menos 2 metros.

Acabei passando pela passagem que elas formavam. Não acredito em magia nem nada dessas coisas mas… Por coincidência, assim que passei por esse “portal” as coisas mudaram. Muito. Bizarramente.

Ainda encantado com a visão das árvores, comecei a ouvir um zumzumzum perto de mim, que parecia serem pessoas conversando. Me virei, não vi ninguém. Mas o barulho continuava. Me virei para o outro lado e nada. E então me chamaram: — Ei, aqui embaixo!

Baixei meus olhos e vi dois gambás e um porco espinho. Eles estava me encarando. Eu estava confuso. Assustado. Mas nenhum deles parecia agressivo. — Oi?, eu disse. — O que você está fazendo aqui?, me perguntaram. E, só então, reparei em pequenos seres montado em cela nos animais. “Eita!”, pensei. Imóvel fiquei.

— Tá com algum problema, amigo? Como você chegou até aqui? — um dos seres me perguntou. Eu não sabia o que responder. Fiquei mesmo sem reação. Com receio, claro, mas ao mesmo tempo curioso. A conversa fluiu mais ou menos assim:

— Oi?É… quem são vocês? — eu perguntei

— Eu que te pergunto quem é você e o que você está fazendo por aqui.

— Me desculpe. Vim atrás de uma cachoeira que me falaram que era bonita…

— Ah, certo. Ela é por aquele lado ali. Segue naquela direção — falou me apontando. — Não tem erro. É só seguir direto.

— Ok… obrigado… Mas… quem são vocês?

— Nós somos nós, oras. E você, acreditou eu, seja você. Estou certo? — disse outro dos seres, dessa vez o que estava no porco espinho.

— Sim… está certo… — Fui obrigado à concordar. — Então… está bem… vou nessa… tchau…

— Tchau! — responderam em coro

Me virei e segui meu caminho. Não para a cachoeira, mas para casa. Confuso, claro. Até chegar em casa eu me convenci de que tinha sido uma ilusão. Algo que eu comi não caiu bem, ou então esbarrei em alguma planta venenosa que me fez ter ilusões.

Nem reparei o tempo passando. Quando cheguei em casa já era de noite. Fiz uma refeição rápida, tomei um banho e fui para cama dormir, procurando me refazer daquela maluqice. O sono não demorou e eu adormeci…