Ele tirou meu vestido na febre dos afagos, esticou-o com as mãos e disse: vou pendurar na cadeira para não amassar. Eu comecei a rir, não deu para segurar e soltei um : Oi? Passando a mão nuca dele…Ele sem graça falou: ah desculpe, sou um pouco cuidadoso, me ligo nisso. E eu pensei comigo: caralho, nem eu faço isso com minhas roupas, mas vamô lá. Colocou um dvd do Chico Buarque e eu não me segurei para dizer que aquilo era clichê. Ele riu, achou graça e me ofereceu uma cerveja importada. Outro dia, me ofereceu de novo: quer cerveja?! Uhmmm até quero, respondi. E ele abriu a geladeira e falou: tem boemia. E eu: ah, então não. Odeio Boemia. E ele falou: que fora! E eu ri. Você tem um beijo bom, ele disse. E eu, que não sei receber elogios, respondo: ah, não beijo sozinha, né?! E então ele respondeu: eu não disse você, disse nós. Nós temos um beijo bom. Eu nunca falo eu, sempre digo nós. E eu pensando comigo: jézuis, isso não existe. Dai ele perguntou se eu queria tomar um banho e eu disse que sim. Me puxou para dentro do chuveiro dizendo que banho junto economizava mais água, tsss…começou a me comer loucamente parecendo uma metralhadora sem parar de meter. E eu juro que deu tempo de pensar: carajos, vim aqui pra isso? Mas nem concluir o pensamento pude, porque ele gozou. Gostoso né? Ele disse. E eu queria responder: gostoso pra quem cara-pálida? E então deitamos para dormir. Ele muito fofo me enchendo de carinhos e beijinhos sem ter fim até a gente capotar abraçadinhos.

Quer café da manhã?! Quer a senha do wi-fi ?! E eu pensando já mau humorada: não, porra! Queria só gozar mesmo. Fui embora de taxi pensando o quão brochante não deve ser a vida de um cara que não pira em ver a mina gozar. No chuveiro ainda, putz…eu ia desmaiar de prazer. Mas deixa queito.

Chego em casa, já tem mensagem: chegou bem ?! E eu respondi: yesss e ele: bom sábado. E eu: idem pra tu, chuchu. Seca assim, coisa e tal. Tchau, tchau.

Daí, o outro:

O outro chega aqui em casa depois de quase nem vir, começa me agarrar no portão querendo muito dar a sorte de algum vizinho bisbilhotar. Parece maluco e é. Vai tirando minha roupa, que vai caindo no chão e sem querer até pisa no meu vestido, que vai ficar no chão da sala quanto tempo for necessário. Me arranca a calcinha, da. uns beijos sórdidos, olha com cara de cracudo e me come igual um tarado louco de todas as formas possíveis e quando eu gozo, bem antes dele, o bicho fica maluco: caralho! Ele fala. Caralho, eu falo. E o diálogo é quase todo assim. Ele levanta e quase

que derruba a TV e o que mais tinha pela frente. Fala: porra, quase derrubei tudo! E eu dou risada e digo: cara, eu não ia achar estranho vindo de você. Daí me come mais. Depois acorda reclamando: tô fudido! Tô sem casa, tô com asma, tô com sinusite. Cacete, como reclama. Para de fumar maconha! E ele diz: não consigo! Que dia é hoje? Ele fala meio que no susto dando um pulo da cama. Dou mais risada e falo: hoje é treze. Dai ele: meu celular caiu no chão, não é um smartphone. Aliás, eu comprei um celular desses, mas não consigo parar se usar esse aqui. E eu descobri que minha vó também tem um igual a esse. Então, tenho que usar esse aqui também. Eu gargalho alto, quero atacar ele de carinho e dizer um montão de coisas lindas mas só digo: é muito babaca mesmo! E ele me empurra me apertando, quando na verdade quer me dar um abraço. Eu falo: você me odeia, né?! E ele diz: te odeio a muito tempo já.

Então ele mete o pé. Nunca mais vai ligar. Não tem senha do wifi, não tem beijinhos sem ter fim, se bobear até passa reto quando me ver na rua. De desligado, de metido, de sem noção. De sei lá, de cracudão mermo.

Retorno e fim:

Aí o primeiro me liga: topa vir aqui em casa? Eu respondo: só se você me passar a senha do wifi. Anota aí, ele me diz rindo. E eu retruco: vou te dar essa moral.