5 vdds sobre aprender um instrumento depois de adulta e uma consideração final não desesperada

D de digno

A partir da minha experiência, posso falar, e bem humildemente, sobre aprender a tocar violão depois de adulta. Sei que muita gente se interessa por começar a tocar um instrumento, mas fica achando que isso tem algo de mágico, de impossível etc. Então trago aqui algumas coisas a respeito que acredito que podem ajudar.

Minha vontade de aprender a tocar violão vem desde os dez anos. Por várias razões, só comprei o instrumento em 2003, mas o combo dois estágios + faculdade inviabilizou a continuidade do processo. Foi em 2013 que eu consegui unir o que era necessário para enfim aprender a tocar: poder pagar as aulas, ter uma escola perto e um pouco de tempo para me dedicar aos exercícios em casa.

E aí está algo bem importante que a vivência me trouxe: me conheço mais ou menos bem, então sabia que, para começar a aprender algo novo, ia precisar ter uma forma sistematizada de ensino. Ou seja, um professor, presencialmente, que me ensinasse, corrigisse, orientasse. Nesse meio tempo já tive aulas em duas escolas. Por conta de outras atividades, parei de frequentar, mas sempre que possível, pratico.

Depois da historinha, lá vão as vdds:

  1. Daquilo que depende da gente mesmo, acho que o principal é a vontade. Sim, tem que ter muita vontade. Até porque
  2. Vai ser difícil. Vai ser trabalhoso. Vai doer. Você tem que decorar os acordes. Não tem fuga. E você precisa educar seu ouvido e músculos da sua mão que você ainda não tinha trabalhado dessa maneira. Vão doer a ponta dos dedos, os dedos em si, seu punho. No início, mesmo para fazer os acordes mais simples, você vai ter que colocar os dedos um a um nas cordas e ajeitar (mão esquerda). E forçar. E se coordenar de fazer a batida (mão direita). E, aos poucos, ir fazendo as trocas. Isso sem falar nos acordes com pestana, que no início parecem impossíveis, mas tem que acreditar. (o segredo está no polegar). Às vezes você vai estar tentando e não conseguindo, e, no dia seguinte, ao pegar o violão de novo, apenas acontece. E daí é lindo. É por isso que
  3. Você tem que praticar. E às vezes, por mais que você ame e queira, não faz. Porque é difícil, porque cansa, porque você trabalhou o dia inteiro. Uma coisa legal é deixar o violão em casa sempre à mão. Não deixar guardado. Você olha e já tem aquele impulso. Pode ser porque você está com vontade de tocar ou mesmo para abstrair, para desestressar. E se todo dia você pegar um pouquinho, vai ficando mais simples, vai ficando delícia, vai ficando gostoso. Mesmo sabendo que
  4. De início você não vai conseguir tocar direto. Você vai indo por partes da música. E não vai conseguir cantar junto. Claro que você vai tentar e não vai dar. Não fique chateado: é assim mesmo. Depois que já estiver tocando direitinho uma música, aí sim: vai cantando junto que fica bem mais divertido. É legal já conhecer a música para ir praticando. Saber a letra é bom também para se basear — mas isso pode bem ser uma coisa pessoal minha, pois sou muito ligada nas letras. Para mim ajudou. Outra coisa também foi
  5. A relação com as minhas unhas. Sim, elas têm que estar curtas. Mesmo. Não tem choro. Como na adolescência vivi intensamente minha relação com unhas compridas pintadas de todas as formas e cores possíveis, incluindo francesinhas, estrelinhas etc, para mim isso foi muito de boa. Se pode pintar? Pode, ué, já vi a Marisa Monte tocando em show com a unha pintada de preto. Deve estragar o esmalte, sei lá, mas aí vai da pessoa, né? Tem também a questão de usar palheta ou não. Sobre o lance da unha do polegar da mão direita ser longa, não cheguei nesse nível ainda, pois pelo que me disseram é preciso ter muita estrada para isso realmente fazer diferença. Tipo estar no nível do Vitor Ramil. Do qual eu ainda estou muito longe. Mas mesmo assim

Vai valer muito a pena. Se é isso que você quer, se você sempre escutou as músicas imaginando tocá-las, se você ia aos shows e ficava emocionado olhando os instrumentistas e sonhando fazer igual: se joga. O caminho para o que a gente deseja muito e de forma profunda é sempre árduo. E é bonito também.

______

O título é inspirado, além das ~internetsss~, pelo livro de Pablo Neruda “Veinte poemas de amor y una canción desesperada”.

____________

Onde estou:
facebook.com/belisagiorgis
twitter.com/belisa_
instagram.com/belisa_
snap: belisagiorgis
belisa@gmail.com
lattes.cnpq.br/2459878756377891
feevale.academia.edu/belisagiorgis