Tem stories/snap por tudo. E agora?

Vamos pensar um pouco sobre essa tendência para contar histórias

Que a função stories, conhecida da Minha História do Snapchat, se espalhou para outras redes sociais, todo mundo já sabe. Lembrando, é conteúdo em foto e vídeo que permanece por 24 horas somente. Nele, é possível ver quem visualizou e responder com uma mensagem direta para o usuário que publicou o conteúdo, e também usar filtros, textos, rabiscos etc. De agosto de 2016 para cá, surgiram Sua História no Instagram, o Status no WhatsApp (a antiga frase depois passou a se chamar Recado), Seu Dia no Messenger e, por fim, Sua História no Facebook também.

Facebook e suas redes não estão sós nessa

No entanto, não foram só as redes sociais pertencentes ao Facebook que passaram a ter a funcionalidade relacionada ao layout vertical, à estrutura de produção e acesso de conteúdo voltada ao celular e ao contar histórias em pequenas partes. Também desde 2016 o Twitter passou a ter a funcionalidade Moments, em que é possível agrupar tweets, e o Medium, agora em 2017, começou a contar com a Série. A diferença é que o conteúdo não desaparece em 24 horas. (Se conhecerem outras redes com também com funcionalidade parecida, me avisem, ok? ☺)

Contar histórias para gerar relacionamento e as escolhas nesse processo

Redes sociais, como sabemos, têm por finalidade a construção de relacionamento, ou seja, continuamente engajar pessoas. Uma das formas de realizar isso é contando histórias, ou seja: estruturando uma narrativa com início, meio e fim, com picos e ritmo, produzindo sentido para quem teve acesso a ela. E isso acontece com a escolha do que e como se vai comunicar.

Então, basicamente, estamos falando de três aspectos :

1. Relacionamento ► Engajamento

2. Contar histórias ► Storytelling

3. Escolhas que dão o tom da comunicação ► Curadoria de conteúdo

Relacionar-se com as pessoas escolhendo o que vai dizer para comunicar o que se quer e buscando produzir sentido não é novo. Essa é uma característica das pessoas desde muito antes da internet, e sabemos disso. Outra coisa que também sabemos é que todas as nossas ações em redes sociais são performances mediadas de cada um de nós — sejam elas curtir, comentar, compartilhar, visualizar (e responder, ou não) etc . E, assim como nossas ações quando não vinculadas necessariamente à internet, comunicam, e com elas queremos dizer coisas.

Mas não estávamos falando de Stories?

Sim, e ainda estamos. Pois bem. Essas questões que comentei foram para fazer pensar um pouco sobre o que esse tipo de funcionalidade quer dizer nessas diferentes redes sociais. São formas de se contar histórias para gerar engajamento com uma produção/curadoria de conteúdo específicas.

Só que o crescimento e a expansão dessas funcionalidades e de seu uso também evidenciam outras duas questões:

4. A força cada vez maior do celular (o mobile ☺)

5. O “ao vivo” (live ou real-time) como forma de comunicar espontaneidade e “em tempo real” para gerar aproximação

Bem, já se pode ver que os cinco itens que listei se inter-relacionam o tempo todo e de muitas formas. E, a partir de como observo, me parece que esses são alguns dos principais aspectos que estão motivando a tendência de funcionalidade snap/stories/moments nas diferentes redes sociais.

Podemos observar o quanto os celulares se tornaram parte do nosso dia a dia com cada vez mais força nos últimos anos, com suas múltiplas funcionalidades, que conhecemos bem. Eles se tornaram o principal dispositivo de acesso à internet no Brasil, utilizados por 89% da população, conforme pesquisa do CGI.br publicada em 2016.

Isso também se relaciona com transmissão ao vivo. Este ano a foi implementada a funcionalidade ao vivo no Instagram Stories, e recentemente passou a ser possível baixar o vídeo produzido assim que a transmissão é finalizada. E podemos também observar o crescimento do Facebook Live com vídeo vertical. Importante lembrar que a transmissão de vídeo ao vivo já era possível no Twitter com o Periscope desde 2015.

Então, considerando todas essas questões, o passo seguinte para quem vai planejar e criar é realizar escolhas, de forma condizente com as demais informações que norteiam as estratégias e sua implementação — públicos/personas, objetivos, KPIs — sobre quais redes utilizar, de que modo, com quais conteúdos, em que horários. Ou seja: aquilo que já sabemos.

Já é possível, mesmo que com um olhar preliminar (e buscando fugir da bolha), observar duas questões. Em cada rede, são diferentes pessoas que postam e que visualizam o conteúdo publicado com a funcionalidade stories/snap, mesmo que os contatos se repitam em muitas delas. Os tipos de conteúdo e a forma também diferem de uma rede para a outra.

Isso tudo se relaciona àquilo que já sabemos sobre gestão de comunicação digital e que é uma base bem importante para construirmos o trabalho nessa área: observar, testar, aprender dos resultados, repensar. E que serve para decidirmos como passar a utilizar (ou não) com as ações/campanhas que forem ser realizadas.

Por fim, aproveito para deixar três dicas:

  • As dimensões mínimas dos conteúdos verticais são 1080x 1920 (2560 x 4551 px é uma boa também, na mesma proporção).
  • O Spark (ferramenta gratuita da Adobe para criação de layout) já conta com a opção de formato Instagram Stories
  • Um perfil interessante para seguir no Instagram para ideias de produção de conteúdo no formato Stories é o @buffer (e para outras informações relacionadas à gestão de redes sociais também)
E você, o que pensa dessa tendência?

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