Mais porquês

Fase, processo, construção. Relato de perguntas em looping.

Um dia coloquei na minha cabeça que eu queria me conhecer minunciosamente. Era muito difícil lidar com as armadilhas da mente e as dualidades da emoção x razão. Sentia que nesse mergulho profundo talvez pudesse encontrar mais respostas para as muitas perguntas que meu ego fazia ao meu eu e ao meu meio.

Questões pessoais, profissionais, espirituais, vitais… O que me move verdadeira e autenticamente? O que me faz ser e não estar? Com o que quero gastar meus momentos preciosos de vida? Eram muitas perguntas que se acumulavam, ainda sem respostas, martelando incessante e repetidamente na minha cabeça.

A escolha da análise me fez pela primeira vez identificar e questionar minhas emoções e reações. Encontrei meu lugar de fala, e principalmente de escuta, quando me dei conta que eu não parava para me questionar desde o meu despertar ao meu adormecer. Seja para entender minhas sombras, celebrar minhas luzes ou sequer olhar atenta para meus porquês emocionais. Durante anos a mente tinha se encarregado de fazer o papel de mediador da minha vida, enquanto o coração gritava por mais atenção.

Me vi retornando a “fase dos porquês”, com a diferença que agora as perguntas eram essencialmente internas, e ninguém mais poderia responde-las tão bem quanto eu mesma. Identifiquei que a maioria das respostas eram outras perguntas, ainda mais complexas de desvendar e por muito tempo (e ainda de vez em muito) me pegava querendo zerar como se fossem um jogo de videogame aonde as fases são finitas.

Quando se trata do eu, não existe regras, não existe normas. O eu é nosso bem mais precioso, é com ele que nos relacionamos com quem amamos, que passamos adiante o que acreditamos, que conquistamos nossos sonhos, que sofremos, que vibramos, que vivemos. Com ele somos capazes de tudo, ou de nada. Para ele trabalhamos cuidando externa e internamente numa balança por muitas vezes desigual e igualmente perigosa. Vale pensar…

Um convite? Nos investigarmos, sermos chatos quando o quesito é nos conhecer, depois disso ficará fácil silenciar a voz que ecoa quando o dedo aponta ao outro. Essa construção é instigante e curiosa, assim como nosso processo evolutivo que escolhe porquês que geram mais porquês para a nossa sorte e felicidade.

Diferente de qualquer jogo que tenha zerado ou queira zerar um dia, essa busca é infinita. Morreremos com muitas perguntas oriundas de muitas outras que serão feitas. O grande salto, é conquistar cada dia um porquê, evoluir sabendo que não saberemos tudo, mas que saberemos um pouco mais a cada dia.

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