Chega de treta

Um bate papo real entre bundas moles

O dia: Domingo.

Horário: 23:07

Onde: No ônibus de viagem, trajeto Rio de Janeiro para São Paulo.

O que: Uma conversa de WhatsApp com um amigo, que gentilmente me autorizou a postagem deste assunto tão íntimo pra nós dois. Por motivos óbvios, ele não será identificado. ;)

Eu: Como foi seu fim de semana?

D.F.: O meu? Ish. Ontem mal saí na rua. Só fui comprar cerveja e amendoim pra ver o jogo. Li, vi Olimpíada e dormi, basicamente. Hoje fui lá pra minha mãe, no bolinho sobrinho. Foi bom.

Eu: Tá frio aí, né? Não dá vontade de sair muito.

D.F.: Sim. Frio e chovendo.

Eu: :( Mas é bom pra descansar também, né…

D.F.: Eu tô numa fase mais sussa também. Então ok, foi sem sofrimentos.

Eu: Que bom! Eu agora depois dessa viagem pretendo dar uma sossegada também, até pra economizar. Vai ser bom, ver uns Netflix da vida, ficar quieta em casa e parar de arrumar treta.

D.F.: Treta?! Haha

Eu: É. Saio de casa e me apaixono em cada esquina. Chega dessa porra.

D.F.: Como diria seu Madruga, que volátil. Hahaha

Eu: É. Fazer o que? Eu sou dessas. Beijei um menino e depois do segundo beijo ele me disse: “Meu Deus como você é romântica! Tem romance no seu beijo!” Fiquei com isso na cabeça desde então.

D.F.: É tão evidente assim, será?

Eu: Uai. Pelo visto, mais do que eu imaginava. Ou então ele é um cara mais sensível.

D.F.: Ou ele que é um bom definidor de beijos? Foi um jeito bacana de definir o beijo de alguém, admito.

Eu: Gostei também, ninguém nunca tinha me falado isso.

D.F.: Que ele bata o dedinho do pé na quina do sofá agora. Mas mandou bem.

Eu: Mas aí acho que ele se assustou com isso. Ele foi embora e não falou mais comigo. Por isso eu digo: chega dessa porra.

D.F.: Se isso é algo tão seu, então não se violente. Não queira mudar. Já já vai ter quem não vá embora.

Eu: Não vou mudar. Já sei que sou assim. Mas eu sofro quando os caras vão embora, então às vezes sinto que preciso me resguardar um pouco mais. Porque dói amar qualquer um assim como eu faço. :(

D.F.: O mundo não tá pra quem é muito do coração, né?

Eu: Não tá não. Machuca pra daná.

D.F.: Eu já tô na mão oposta, acho.

Eu: Sem coração?

D.F.: Tô querendo muito gostar de alguém, mesmo que for pra quebrar a cara. Já me diverti demais. Tá chato.

Eu: Acho que todo mundo busca isso, mesmo que inconscientemente. Quebrar a cara não é problema. Desde que a parte boa tenha valido a pena. Só que esse medo de quebrar a cara tá fazendo a galera parar de querer viver as coisas.

D.F.: Eu fugi muito de me envolver durante muito tempo. Me arrependo. Me privei de tanta troca, de tanto aprendizado, crescimento… Por cagaço.

Eu: Exato. Isso que eu disse. Essa fuga. Não preenche nada.

D.F.: Foi bobagem.

Eu: Entendo demais. Mas nunca é tarde pra perceber e mudar isso. Encontrar alguém legal pra viver algo de verdade. Cê vai.

D.F.: Yep. Vai rolar.

Eu: Vai, vai rolar. Pra todos os corações bundas moles!

Moral da história: tire suas próprias conclusões.

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