Eu não vou mais transar casualmente

Uma crônica da vida real

Assim. O cara é um lindo, vem cheio de conversa. Um dia, dois, três. Ali, em cima, investindo. Manda música, elogia, conquista fácil um coração bundão que nem o meu. Me chama pra casa dele e eu prevendo o golpe mas pensando “foda-se, a vida tem que ser vivida intensamente, sou livre e faço o que eu quero”, vou lá.

Bebemos, conversamos um pouco, ouvimos músicas… Carinhoso, beijo gostoso… Transamos. Eu na verdade não queria tanto. Mas a bosta de não querer parecer idiota, e ao mesmo tempo uma necessidade burra de viver aquilo… Intensamente.

Não sei o que me deixa pior, o fato de ter dado, de ter dado sem camisinha, ou de ter claramente visto que ele estava simplesmente metendo sem nenhuma atenção ou cuidado comigo, e não ter parado ou impedido que isto acontecesse. Toda a história linda da conquista sumiu 30 segundos depois dele tirar o meu sutiã. Virou uma chave e até o quarto mudou de cor.

Depois de tudo e de repente eu só conseguia me sentir uma intrusa, uma chata, alguém que quase deveria pedir desculpas por ainda estar ali impedindo que ele dormisse. Desci as escadas escuras do prédio sozinha, entrei num Uber e fui pra casa. Avisei que cheguei a pedido dele, e na hora eu ainda pensava em algum lugar de mim que ele estava sendo fofo por se preocupar. Nunca mais nos falamos.

A minha decisão sobre isso depois dessa história de bosta é: EU NÃO VOU MAIS DAR PRA UM CARA CASUALMENTE. Nem pra viver o momento, nem pra matar vontade. Porque não vale a pena. Não vale meu esforço, minha energia, meus pensamentos e sentimentos, não vale o meu corpo lindo e sagrado para algo tão efêmero que depois não importará em nada para a outra pessoa. Eu não quero mais essa sensação de ser usada, de ser gastada, descartada. Eu não quero entregar tudo o que eu tenho para alguém que claramente não merece nem um terço.

Está decidido assim. Eu não vou mais dar pra cara nenhum que eu não tenha certeza que existe um envolvimento emocional minimamente profundo por parte dos dois.

Vai levar mais tempo? Vai.

Vai espantar 90% dos caras? Ótimo.

Porém, quando acontecer, vai ser de verdade, na cor que tem que ser. Com respeito, com carinho, com prazer. Eu só quero me sentir segura antes, durante, e principalmente depois. Romântica demais? Talvez. Mas eu não ligo. Em tempos de relações líquidas, eu quero viver o amor. Primeiro o amor próprio, depois o sólido. Aquele que só pode ser construído de outro jeito, na contramão do mundo. É assim que eu quero, é assim que eu acredito, e é assim que vai ser.

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