(N)o sonho há

Um sonho me fez lembrar do que nunca tinha esquecido. Meu inconsciente me mostrando que apesar da distância e das soluções rasas de não te procurar mais, você ainda não saiu do fundo de mim.

Seu jeito de me olhar não saiu. O som da sua voz. O calor das suas mãos no meu rosto. O seu cabelo. Tudo em detalhes num sonho bom.

No sonho você me beijava e eu por dentro comemorava sem saber que era sonho. Eu sentia quente, sentia molhado, sentia sua respiração perto da minha, tudo tão real. Era você comigo, como sempre foi, ali, junto, comigo, comigo.

Acordei te amando, de novo. Como em várias manhãs de um passado não muito distante, acordei te amando, acordei te querendo, acordei odiando você, odiando ter sonhado, odiando ter lembrado, amado você de novo. De novo, ainda, te amando, igual, como sempre num passado não muito distante, de novo, de novo e de novo ainda assim amando como se ainda você houvesse.

Você não há.

Passa o dia e você não há. Incógnita para mim.

Preferia ser qualquer molécula de você, desde que eu pudesse entender o que te passa, o que você pensa e sente, do que ser eu e não entender nada.

Você é incógnita para mim e eu estou cansada de tentar ler sinais que não existem para fora de você e nem sei se para dentro.

De dentro, do fundo de mim, posso dizer, você há. Você há e aproveito o cansaço disso tudo pra dormir mais um pouquinho e te buscar, te encontrar, te beijar e te ter, finalmente. De novo. Como em várias manhãs de um passado não muito distante. De novo, ainda, igual, assim assim, de mentira mas de uma verdade tão sincera que chega. Há.