
Resistência
Eu devo resistir,
Como a última na batalha
Enquanto o vento sujo de fuligem e poeira me espanca,
Mas a espada está empunhada e eu estou em pé sobre uma pedra.
Eu devo resistir,
A luta diária dessas poesias que ninguém lê,
Não são os likes que me motivam,
É a minha morte.
Meu amor insiste que eu devo procurar um novo terapeuta,
E meu sangue escorrendo durante o banho.
Meu amor diz que está do meu lado
E eu chorando no chuveiro.
Meu amor diz que vai ficar tudo bem
E eu não querendo sair de casa.
Meu amor diz que eu não preciso ficar de paranóia
E eu não sabendo o que vestir pra disfarçar a tristeza.
Me sinto abandonada, me sinto cansada
Enquanto isso eu faço mais um copo de achocolatado.
Não sou a Anita Garibaldi feminista que as redes sociais mostram
Sou a decadente Marilyn Monroe morta numa banheira.
Eu devo resistir,
Eu devo orar pelo meu amor.
E meu sangue escorre,
E vou lentamente morrendo.