Angústia solitária…

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Sempre fui uma garota de sonhos grandes, altos e que fazia questão de planejar todos os meus passos. Sempre fui aquela apontada como exemplo a ser seguido, a que tudo sabia fazer, aquela que liderava mesmo sem querer, o porto seguro de amigos e familiares.

Nunca pensei na possibilidade de alguma coisa sair dos trilhos, do controle e do lado certo da vida. Também, nunca fui muito de falar, compartilhar ou demonstrar reações e sentimentos. Tudo resolvia sozinha, tudo me virava e para todas as situações eu aparecia com a solução certa, com a ideia certa, com o roteiro a ser seguido.

Mas a vida não é uma equação matemática, não é preto no branco, não tem como ser planejada e trilhada exatamente da maneira como sonhamos. Se assim fosse talvez hoje eu estaria em outro lugar, teria feito meu intercâmbio e meus cursos em outros países. Estaria morando em meu próprio canto, estaria por aí e não aqui dentro do meu quarto escrevendo esse texto.

A vida surpreende e nem sempre as surpresas são boas. Coisas saem do nosso controle e por mais que tentemos contornar e colocar tudo no lugar não dá. E por não falar, não saber nem por onde começar quando o assunto é: pedir socorro. Eu, como uma tartaruga ou um caramujo, me fecho.

Engulo tudo e estampo o rosto com um sorriso, talvez não o meu melhor sorriso, mas faço o que melhor sei fazer: cara de paisagem. Sigo em frente como se a vida ainda estivesse nos trilhos.

Com a cabeça e o coração a mil, trabalhando, pensando. Me cobro, me culpo, choro sozinha antes de dormir. Rezo a Deus e todos os Santos por um milagre, mas milagres devem acontecer apenas a pessoas boas e de boa fé. Não acho que me enquadro nesse grupo, não acho que seja digna de um milagre. Mesmo assim peço.

A falta de rumo, de perspectivas e de futuro pouco a pouco matam a garota que um dia fui. A menina engraçada, irônica, de sorriso fácil e doce. Sei, no fundo sei, por mais que me doa admitir que, hoje, sou apenas uma sombra daquela que um dia fui de fato.

Ah, como eu queria voltar a ser aquela garota. Como eu queria ter de volta todas as certezas e a vida de anos atrás. Como eu queria aprender a pedir ajuda, aprender a dividir problemas, medos e mesmo meus erros.

Viver tais angústias e frustrações sozinha, mesmo rodeada de pessoas, só faz com que pouco a pouco eu consiga afastar as pessoas de perto de mim. Afinal, quem quer ficar próximo a alguém que não consegue se animar com nada? Que não consegue sair do lugar? Que não consegue mais retribuir gestos e sentimentos?

Quantas vezes não planejei simplesmente sumir. Como se dessa forma eu fosse resolver tudo. Um outro estado, uma outra cidade ou um outro país fosse me trazer de volta o que aqui eu não consigo.

A forma que encontrei de colocar um pouco para fora tudo isso foi aqui, nesse espaço onde ninguém me conhece, onde talvez ninguém leia. Mas escrever é a minha única forma de me expressar verdadeiramente.

Gostaria de um milagre. Gostaria de voltar no tempo. Gostaria de consertar tanta coisa. Gostaria de voltar a sentir prazer nas coisas.

Mas só consigo sentir dor, medo, angústia e solidão. Como nunca em meus 29 anos senti antes. Talvez se eu pudesse conversar com a Bel de 15, 18 ou 20 anos eu diria para que ela não cobrasse tanto, não fizesse tantos planos e não se permitisse colocar o mundo e todos em sua volta nas costas.

Uma hora o peso de carregar tanta coisa dói e faz você tropeçar e cair. E se levantar nem sempre é fácil, nem sempre é rápido, mas sempre deixa marcas…