Foto: Tiago Belotte

Quantas coisas você já perdeu por medo de perder?

O que te deixa feliz: chegar ou partir?

Eu tenho um amigo que perdeu a chance de mudar de emprego, porque ficou com medo do salário no outro lugar ser mais baixo. Ele não sabia se seria, mas preferiu nem arriscar. O problema é que ele também não está feliz no emprego atual e ainda corre o risco de ser demitido, porque a empresa está num momento complicado e a qualquer momento pode fazer corte de pessoal.

Conheço quem sempre vai nos mesmos restaurantes, com medo de perder uma refeição gostosa. E daí nunca conhece nenhum lugar novo e admira quem descobre novos e incríveis sabores. Tem também que nunca viaja para um destino novo, não muda o trajeto que faz para ir aos lugares e nem tem coragem de mudar de casa, quanto mais de cidade ou de país.

Mas olha, eu também conheço gente que sempre troca o tédio pelo duvidoso. Que prefere dois pássaros voando do que um triste na mão. Que sabe que a gente só teme perder o que, de verdade, não tem.

Pra mim, a diferença entre um olhar e outro, está no foco.

Enquanto de um lado o foco está em ter um resultado (chegar), do outro, o importante é o dar chance ao processo que pode levar ao resultado (partir).

Outro dia eu assisti uma palestra sobre computação quântica. E o palestrante, especialista no assunto, começou pelo básico, para uma audiência leiga: o que é ser quântico. Em síntese, quântico significa trocar “é ou não é”, “está ou não está” por “pode ser” ou “pode estar”.

Agora aqui estou eu pensando se não deveríamos abrir espaço para mais “pode ser”, ao invés de mantermos as certezas que não estão nos deixando satisfeitos.

É preferível a possibilidade de que algo vai mudar pra melhor, do que a certeza de que tudo ficará como está. Talvez, a chance de provar uma comida gostosa hoje seja mais saborosa do que a a certeza de que o gosto será o mesmo de ontem. E ainda, que a experiência de descobrir um lugar novo seja mais agradável do que ir e passar pelo mesmo lugar de sempre.

O que fica, por fim, é a pergunta: quantas coisas você já perdeu por medo de perder?