Dicas para criar e identificar oportunidades — Parte II

Semana passada dividi com vocês cinco dicas de como criar e identificar as oportunidades que nos cercam. Hoje, compartilho outras cinco dicas que me ajudam muito no dia a dia. Sim, existem muitas oportunidades no mundo e precisamos treinar nosso olhar para encontrá-las.

Nada cai do céu e é raríssimo uma oportunidade aparecer do nada, por isso nossas atitudes são fundamentais.

Nos últimos anos aprendi muito sobre esse assunto com as minhas próprias experiências e, por isso, resolvi compartilhar estes aprendizados com o maior número de pessoas para que todos possam ir além e realizar muito mais do que o esperado. Se você ainda não leu o primeiro texto, vale a pena conferir as cinco primeiras dicas aqui. No total, serão 21 insights que compartilharei em quatro textos no decorrer das próximas semanas. Abaixo, a segunda parte, com mais cinco dicas.

6- Cuidado com aquilo que é esperado de todos. Médias podem te limitar a não ampliar os seus horizontes.

É comum fazermos a mesma coisa que todo mundo faz se nos questionarmos sobre aquilo, isso acontece com todo mundo e nós nem percebemos. No MIT você é encorajado a escolher quatro matérias por semestre, isso é o que todo mundo faz e é o que eles consideram o ideal. Mas nas universidades americanas existe a possibilidade de fazer todo tipo de matéria, independentemente do seu curso. E eu queria fazer muita coisa, queria aprender de tudo. Então tive uma ideia: e se, a cada semestre, eu fizer uma ou duas matérias a mais? Percebi que se organizasse meu tempo, conseguiria incluir uma aula a mais e fui em frente. Pouco a pouco fui aumentando, sempre respeitando meus limites. Até que no oitavo semestre eu estava fazendo mais de 12 matérias. O mais interessante é que aqueles semestre com mais matérias foram os mais bem aproveitados, pois eu gosto muito de variar os aprendizados e ter várias coisas para aprender me motivava demais.

Se eu tivesse simplesmente seguido a média e feito 4 matérias por semestre, teria deixado de aprender tanta coisa, mas tanta coisa.

Cuidado com as médias, com o que é esperado de todos. Isso pode te limitar e até mesmo evitar que você encontre a melhor versão de si mesmo.

7- A capacidade de adaptação faz com que você foque nos resultados e não nos desafios

Minha primeira experiência no Vale do Silício foi a Google, quando eu ainda estava no terceiro ano de faculdade e resolvi me inscrever em um programa que mesclava mestrado e estágio. Acabei sendo aceita, e então embarquei em direção ao Vale para começar o meu mestrado. O meu trabalho lá era bem técnico, afinal era um mestrado e eu estava no setor de pesquisas. Eu trabalhava no tradutor da Google, que tem diversas formas de aprender a traduzir textos. Uma forma é através de textos que foram realmente traduzidos por humanos. Por exemplo, alguns textos das Nações Unidas são traduzidos para mais de 40 línguas. Os sistemas que aprendem em cima desses textos algumas vezes tem um piripaque no meio. E às vezes esse pane acontece depois de horas e horas, com muitos computadores fazendo o seu trabalho, ou seja, um super desperdício. Meu papel era identificar os gargalos antes de eles acontecerem, para que esse trabalho não se perdesse. Como era um mestrado, eu trabalhava muito sozinha, era algo bem solitário. E por mais que eu ame trabalhar em equipe e gostasse de muitas coisas que eu não estava fazendo lá, eu resolvi agarrar aquilo e fazer o meu melhor.

Aprendi com aquela situação que a sua capacidade de adaptação faz com que você foque nos resultados em vez de focar em desafios.

As pessoas que em vez de se adaptar resolvem sofrer com aquilo que não é perfeito, muitas vezes acabam não tendo resultado, pois focam no desafio, no difícil, e no fato de não querem fazer aquilo. A capacidade de adaptação é uma grande sacada para criar oportunidades.

8- Gerar valor e criar fortes conexões depende de você

O Vale do Silício é um lugar bem interessante e bem peculiar, mas quando cheguei lá ainda não conhecia ninguém e aquele era um mundo muito desconhecido para mim. Eu queria conhecer mais gente, entender mais sobre a região, mas não tinha tantas horas livres, pois eu também queria trabalhar muito. Reparei então que teria que me organizar para conseguir aprender ainda mais da cultura do lugar, sem deixar de aproveitar ao máximo as horas de trabalho. Passei a tomar café da manhã com alguém todos dias antes de ir para o trabalho e todos os dias eu almoçava com uma pessoa diferente. Além disso, duas ou três vezes por semana eu ia em eventos a noite. Eram eventos bem diversos, de tecnologia a investimentos, e lá eu tinha a oportunidade de conhecer muita gente. Sempre levava comigo cartões, com algum detalhe que pudesse marcar as pessoas e que fizesse com que elas se lembrassem de mim. Quando conversava com alguém e encontrava uma conexão bacana, eu ia para casa, pesquisava mais sobre a empresa da pessoa e mandava um e-mail me colocando à disposição para ajudar em algo ou com alguma ideia para aquela empresa, agregando valor de alguma forma. Foi assim que comecei a criar meu network no Vale do Silício.

Aprendi que gerar valor pode ser uma ótima maneira de criar fortes laços, e isso depende somente de nós e do nosso interesse em conhecer pessoas, saber mais sobre o que elas fazem e mostrar interesse genuíno por aquilo. O fato de adorar conhecer e conversar com pessoas me ajudou a abrir muitas portas.

9- Peça mais responsabilidades em vez de só esperar por elas

Depois de formada, o meu primeiro emprego foi em uma empresa chamada Ooyala. Eu tinha interesse em participar de uma empresa menor e na época que eu os conheci, quando ainda estava no Google, a empresa tinha cerca de 20 pessoas. Pouco tempo depois, quando eu fiz a entrevista para trabalhar lá, eram 50 colaboradores. A empresa estava em ascensão e eu tinha descoberto uma área interessante, que é Gerente de Produtos, que atua entre tecnologia e negócios, as duas coisas que eu amo. Eu adoro programar e minha experiência era como programadora, mas eu queria ter novas experiências e no processo seletivo expliquei que queria atuar como Gerente de Produtos. Eles me disseram que seria um grande desafio, pois eu teria que administrar a equipe de engenheiros e, por isso, entender muito bem da parte técnica, mas também teria que entender a parte de negócios para tomar decisões. Comecei então com uma equipe pequena: eu e mais uma pessoa. Foi uma experiência fantástica, comecei a aprender muito e pouco a pouco fomos crescendo a equipe. A empresa também foi crescendo e era difícil encontrar novos Gerentes de Produto, então pedi para colocar mais pessoas em minha equipe que eu administraria até encontrarem outra pessoa. Por fim, acabei coordenando três equipes diferentes.

Esta foi uma das melhores experiências que tive e o que ficou muito marcado é que não podemos esperar a responsabilidade chegar.

Temos que pedir a responsabilidade. Muitas vezes, pedimos responsabilidade para coisas que não temos total certeza e que não sabemos fazer 100%, mas isso é a possibilidade de irmos de cabeça e de aprender um pouco mais a cada dia.

10- Quanto vale as coisas que não fazemos? Não é só porque está tudo bem, que não é hora de mudar

Conforme o tempo ia passando, fui conhecendo muitas pessoas no Vale do Silício e alguns viraram verdadeiros mentores. Um desse mentor me apresentou para um empreendedor argentino e falou que eu ia adorar conversar com ele. Fiquei encantada na primeira conversa, era a pessoa mais carismática que eu já tinha conhecido em minha vida. No final da reunião ele me disse, como um bom homem de negócios. “Bom, se achar que eu posso te ajudar de alguma maneira, me diga.” Eu sabia na hora o que eu queria, que era participar da fundação da empresa que ele estava criando. Mas tudo tem os dois lados: eu tinha um emprego ótimo, cheio de responsabilidade, em uma empresa que vi quadriplicar de tamanho e que estava se tornando uma empresa grande, e eu tinha entrado lá exatamente por ela estar começando, ser pequena. Tinha entrado para ver como uma empresa de 50 pessoas funcionava para me preparar para ver uma empresa do zero. Nesse lado da balança tinha um mestrado também, mas eu já tinha feito praticamente o mestrado todo, a aplicação já estava rodando, com resultados. O que faltava era eu escrever o que já tinha sido aprendido. Do outro lado da balança, eu tinha a oportunidade para a qual eu havia me preparado, quer era participar de um negócio desde o início e adquirir novas experiências.

A cabeça não parava de pensar e eu não conseguia ligar o carro e ir embora de lá. Entrei, saí, entrei, saí. No dia seguinte, apareci lá bem cedo dizendo ter uma resposta para ele: eu quero ser parte do time fundador da sua nova empresa, quero ser sua sócia de alguma maneira. Ele olhou surpreso e disse que no meu lugar faria a mesma coisa. E assim eu pulei de uma experiência muito legal para outra.

A gente sabe pesar muito bem o que perderemos se sairmos de algo, e eu pensei muito nisso. Mas o que perderemos se não mudarmos, se não entrarmos em algo novo? Quanto vale aquilo que não fazemos?

Muitas vezes precisamos de coragem para ir em frente e encarar as mudanças. Por mais difíceis que sejam, elas sempre nos trazem grandes aprendizados e mudar faz parte da nossa evolução. Por mais que tudo esteja bem, sempre podemos mudar e buscar algo que vai trazer ainda mais conhecimento.

> Essa é uma série de 4 textos sobre criação de oportunidades. Para ter acesso a todas as dicas, siga @BelPesce no Medium e receba os meus textos.