Sobre nosso favoritismo à impotência ou como Mad Max me fez ver que não temos noção da força das nossas responsabilidades_

Eu tenho certeza que em algum momento você já pensou:

“Tá tudo errado.”

Eu também já tive, e ultimamente eu tenho visto que todos estamos com esse pensamento, o problema, é que não estamos fazendo nada a respeito.

Final de semana, ainda não tinha assistido o aclamado (no Brasil ao menos) Mad Max: Fury Road, fomos eu, meu primo, meu irmão e sua namorada, todos juntos assistir a saga da Furiosa e Max correndo num deserto pós apocalíptico atrás de, bem, esperança.

Depois do filme eu comecei a traçar algumas semelhanças da “sociedade” restante da humanidade no filme com a nossa sociedade. Em geral ainda não passamos pela escassez de recursos naturais que eles (ainda), mas, existem alguns momentos ali que poderiam simplesmente ter o fundo e roupas de personagens (ou manter a roupas, o que também seria incrível, mas…) que ainda representaria muito do que vivemos hoje.

Um pequeno aviso aqui, vou tentar evitar o máximo de

spoilers

mas, pode rolar de escapar um pequenino aqui ou ali.

Continuemos.

Vamos começar com algo simples, a população passa por uma falta de recursos, água principalmente, o grande vilão é claro, domina a distribuição da pouca água (e talvez dai venha seu poder), o numero de pessoas que depende dele é pelo menos 800 vezes maior que o exercito dele, e claro, esse grupo de pessoas é subjugado, ultrajado e humilhado.

Revoltante não?

E o que falar de um grupo de mulheres que são utilizadas somente como receptáculos de fetos num projeto de achar novamente um humano “perfeito”?

Mais revoltante ainda certo?

Aparentemente nem tanto.

Talvez por medo, talvez por cansaço, mas, fica claro que a situação que vemos ali no filme não é algo novo. É algo que acontece a muito tempo.

Vamos para um momento mais recente da minha vida.

Estava eu voltando da academia, e mesmo antes de chegar em casa já dava para ouvir que o meu querido vizinho estava ouvindo suas músicas, num volume absurdo. Por isso estar acontecendo constantemente eu já entrei em casa questionando se alguém tinha ido falar com ele, pedir para ao menos baixar um pouco o volume.

Não ainda não, mas, se preocupa não Felipe, o nosso vizinho X já já vai se irritar e vai lá!

Não sei dizer se o vizinho X se irritou, mas, com essa frase eu me irritei. Ora! Não havia motivo para eu esperar que alguém fosse lá quando eu estava me sentindo muito incomodado, tomei um banho e coloquei uma roupa mais “apresentável” para ir falar com o cidadão. Parei na porta de casa a pedidos de minha mãe para eu não ir, por que isso não precisava ser feito, alguém ia lá!

E por pior que seja admitir, ele baixou o volume depois.

Vale fazer um questionamento aqui, em ambas as situações cabia aos envolvidos somente esperar uma força externa? A resposta não precisa ser escrita, mas, o por que dela ser óbvia e não ser praticada é o ponto.

Furiosa’s Crew

Por mais absurda que possa parecer a comparação de TODO um povo sofrendo nas mãos de um tirano e a irritação de um cara metido a escritor com um vizinho barulhento, existe um cerne ligando eles, a responsabilidade da mudança. E entenda “responsabilidade da mudança” como quem deve agir para que as coisas mudem, e evitando cair nos exemplos básicos de revolução francesa, primavera árabe ou, sei lá, fome na Africa, eu vou partir para um exemplo mais micro.

Eu fui visitar uma escola (coisas do meu trabalho), na diretoria uma das professoras estava providenciando umas cópias de sua atividade para a turma, na sala, os alunos estavam (como é de se esperar quando o professor não está presente) em festa. Eles não estavam pondo a sala em chamas, mas, claramente estava tudo caminhando para isso. Um dos alunos estava numa rodinha com seus colegas, claramente incomodado com tudo aquilo. Eu de longe observava a rodinha que lançava olhares feios para um outro que estava se arquitetando para pegar o piloto da professora e escrever algo no quadro.

Com medo da represália certa que viria da professora o grupo dos “certinhos” começou a reclamar, obviamente que os bagunceiros não deram a minima e foram pegar o piloto para rabiscar no quadro. O lider dos certinhos me viu observando tudo do lado de fora da sala e prontamente gritou para os meliantes de piloto que tinha alguém do lado de fora olhando.

Eu entrei na sala e disse que a professora pediu para esperar que ela já estava chegando e que por favor ninguém bagunçasse ou saísse da sala (não que ela realmente tivesse dito isso, mas, parecia caber bem uma intervenção minha ali).

Sorriso malicioso estampado em todos o grupo dos certinhos, principalmente do “líder” deles. Uma vitória limpa sobre o grupo dos bagunceiros e ele nem precisou levantar da não tão comoda cadeira em que estava sentado.

Seria esse realmente o melhor caminho? Orquestrar uma solução em que você não se involva? Para Furiosa ficou claro que não (até por que o filme já começa com a fuga dela), não sabemos ao certo em qual ponto ela parou de pensar em “isso vai passar” e começou a pensar “eu tenho que fazer isso passar”. E talvez fosse só isso que faltava.

A crença num destino fica por sua conta. Mas, as coisas tendem a magicamente mudar quando você começa a agir em favor da mudança.

Talvez o medo de aceitar a responsabilidade que temos é que nos freie. O medo de que não somos capazes de causar a mudança, ou, de falharmos mesmo que tentamos. Acho que no final, esse meu texto não é sobre querer mudar, é muito mais sobre não ter medo de perceber que toda a responsabilidade de mudança também nos cabe, e que isso é uma coisa boa!

Destino e mudança quase sempre caminham juntos

Pode ser que para você tudo o que eu tenha falado aqui seja simplesmente óbvio, sensato e até banal, mas, eu sei que você conhece alguém inerte, ou até mesmo conivente com os incômodos ao seu redor, se você conhecer alguém assim, indique esse texto para ela, e se você for essa pessoa que está esperando alguém vir mudar uma situação que você não gosta, eu queria dizer que você é um fraco, um perdedor e um medroso.

Mas, esse é um mal remediável… O remédio?

Quem honra aqueles que amamos pela vida que vivemos?
Quem envia monstros para nos matar?
E ao mesmo tempo, canções que nunca vão morrer?
Quem nos ensina o que é real e como rir das mentiras?
Quem decide quem vai viver ou morrer defendendo?
Quem nos acorrenta? E quem tem a chave para a nossa liberdade?
É você!
Você tem todas as armas que precisa.
Agora, lute!
Sucker Punch

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Se você é você, recomende esse texto… Nah zoa…

Eu acho melhor você compartilhar esse texto com seus amigos, eu aprendi a sobreviver com a Furiosa…

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