Só uma nota

É só uma nota. Eu ficava repetindo pra ver se aquilo entrava na minha cabeça e eu parava de me machucar, mas só o que eu conseguia era apertar mais forte as unhas contra o meu pulso. Era uma nota, mas esse “SÓ” é que não fazia sentido. Lembro de sentir muito medo, da respiração ficar difícil e de uma dor horrível no peito. Era desesperador. O remédio me deixou confusa, mas só assim eu me acalmei e adormeci. Tudo entre o tempo de pegar no sono e acordar, ainda não ficou tão claro pra mim. Eu tinha arranhões no braço e o remédio de enxaqueca, que eu não queria tomar pois já tinha ingerido outro muito forte, não estava mais na cartela. É difícil explicar o que a gente pensa quando está em pânico, talvez a gente nem pense, e nessa falta raciocínio fazemos coisas ainda mais difíceis de explicar. Naquele dia, eu era a minha nota. Assim como em muitos outros dias, eu fui algum fracasso meu.

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